Críticas ao filme “À Beira do Abismo”

Não é só o personagem principal de À Beira do Abismo que se encontra perto de uma queda brusca. O filme em si transcorre todos os seus exagerados 102 minutos no limiar do precipício. Ao final, consegue entreter, o que por si só já é um grande mérito, mas é inegável que tropeça muitas vezes.

Dirigido pelo desconhecido Asger Leth, o longa sofre de um mal cada vez mais constante em thrillers policiais, que é tentar surpreender o espectador a todo custo. Para isso, acaba usando de artifícios bobos e deselegantes. Todo cinéfilo gosta de ser surpreendido por uma produção, mas ser enganado é algo diferente. O filme mente para o público diversas vezes, sendo algumas totalmente desnecessárias.

A história gira em torno de Nick Cassidy (Sam Worthington), um ex-policial procurado pela justiça que decide se matar pulando do alto de um prédio de Nova York. Após um contato inicial com a polícia da cidade, ele exige a presença da psicóloga forense Lydia Mercer (Elizabeth Banks), que tentará impedir que se suicide. A medida que conversa com Nick, a profissional percebe que há algo de errado com tudo o que está acontecendo e que a situação parece ser apenas um jogo de cena para acobertar um plano de vingança contra David Englander (Ed Harris), o homem que acabou com a vida do ex-policial.

Worthington é um ator esforçado, mas ainda lhe falta certo carisma para carregar um filme nas costas. Já Banks, vista recentemente no seriado 30 Rock e no longa 72 Horas, se sai relativamente bem, dando uma bagagem interessante à personagem. O talentoso Ed Harris é o vilão da história, mas também não convence. Fica a impressão clara de que o ator ingressou no projeto apenas no piloto-automático.

O elenco conta ainda com as presenças de Jamie Bell, Genesis Rodriguez, Kyra Sedgwick, Edward Burns e Anthony Mackie. Os dois primeiros assumem a função de alívio cômico da história, interpretando um casal que participa do plano mirabolante. Não faltam cenas desnecessárias para a dupla. Rodriguez chega ao ponto de aparecer semi-nua em um momento importante da história, enquanto que Bell pode ser visto dançando em outro. Seria uma referência ao seu passado como Billy Elliot?

Kyra Sedgwick interpreta uma repórter sensacionalista que cobre a história do possível suicídio, comprovando mais uma vez a falta de foco da produção. Gastando tempo para alfinetar a imprensa e seu jogo de vilões e mocinhos, o longa perde minutos preciosos de sua edição.

Man on a Ledge (no original) tem uma série de pequenas falhas, mas no geral pode ser visto como um bom entretenimento para um dia vazio. Apesar de perder muito tempo pulando de um núcleo da história para o outro, ao final é capaz fazer o público torcer por seus protagonistas, por mais que submetidos à cenas má pensadas e conduzidas.

Fonte / Adoro Cinema.com

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