MST mobiliza sociedade regional com protestos, feiras e inauguração de nova sede no extremo sul

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ganha cada vez mais notoriedade no extremo sul da Bahia devido a capacidade de organização e mobilização. Neste mês de julho, as ações do movimento causaram impacto na região. Os trabalhadores sem terra bloquearam rodovias, promoveram caminhadas de protestos, inauguraram sede regional do movimento, promoveram feiras livres e realizaram atividades festivas.

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Segundo Evanildo Costa, coordenador regional do Movimento, as ações tem por objetivo mostrar para a sociedade regional a importância da reforam agrária, sensibilizar o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) a atender as necessidades da classe, no que diz respeito a liberação de recursos para assentamentos e protestar contra a impunidade em crimes cometidos contra integrantes do Movimento. No mês abril, Fábio dos Santos Silva, de 37 anos, líder do MST na região do Sudoeste da Bahia, foi executado com 15 tiros à queima roupa, na frente da filha e da esposa, e até o momento, 03 meses depois, os pistoleiros e mandantes ainda não foram presos. Uma força tarefa foi designada para apurar o caso, mas até o momento o caso não foi desvendado, apesar dos indícios de crime de mando.

Protestos e bloqueios na BR-101

No extremo sul, o MST e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) encabeçaram o Dia Nacional de Luta, celebrado na quinta-feira, dia 11 de julho, em todo país, por centrais sindicais e movimentos populares. Nas primeiras horas da manhã, o movimento bloqueou a rodovia BR-101 em 04 pontos diferentes. As interdições ocorreram no distrito de Itabatã, Município de Mucuri; Itamaraju, nas proximidades do assentamento Jaci Rocha (antiga fazenda Colatina); Itabela, no acampamento Margarida Alves, no distrito de Monte Pascoal; e entre Eunápolis e Itagimirim, próximo ao acampamento 25 anos.

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Ainda no Dia Nacional de Luta, o movimento realizou caminhadas de protestos em Porto Seguro, com participação de aproximadamente 500 manifestantes, e em Itamaraju com mais de 02 mil pessoas. “A participação do MST nesse dia de luta do povo brasileiro foi de importância primordial devido a sua capacidade de agregar os trabalhadores. Sem contar que o movimento possui bandeiras de lutas importantíssimas para a construção de um país melhor, a exemplo da reforma agrária”, disse o coordenador regional da CUT, João Climário.

No manifesto de Itamaraju, o MST e a CUT deixaram em frente a Prefeitura Municipal um caixão com velas acesas, encenando um velório. Uma faixa preta também foi afixada na fachada do prédio. “Esse ato foi em solidariedade às vítimas que morreram no Hospital de Itamaraju por negligência do Município”, esclareceu Evanildo Costa.

Reinauguração da sede regional

Nos dias 12 e 13 de julho o MST reinaugurou sua sede regional, localizada na Praça da Independência, Cidade Baixa. O prédio foi amplamente reformado, ganhando aspecto mais belo e confortável, além de ter sido completamente informatizado.  A inauguração contou com ato solene, onde várias personalidades da sociedade civil compareceram, além de dois dias de festas, que contou com ampla participação popular.

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Para Dalvadisio Lima, do Partido dos Trabalhadores (PT), que participou do ato de inauguração, o MST mostra-se cada vez mais organizado e firme na luta por seus objetivos. “A nova sede oferece melhores condições de trabalho para o Movimento organizar suas atividades na região. O MST tem crescido muito no extremo sul justamente devido a capacidade de se organizar e se articular com foco nos objetivos de distribuir terra e produzir alimento de qualidade, além de gerar trabalho e renda”, parabenizou.

Ainda compareceram ao evento, os vereadores Valzão e Paulo Vitor (PT), representando a Câmara Municipal, o coordenador regional da CUT, João Climário, além de representantes do Sindicato dos Bancários do Extremo Sul da Bahia (SindBancários), Sindicato dos Trabalhadores em Serviços públicos Municipais do Extremo Sul da Bahia (Sintraspesb), ASPLB/Sindicato, o Presidente do PT, Ranieri Botelho; o Coordenador Reginal da CAR de Itabuna, Jota Neto, dentre outras entidades.

Feiras Livres

As feiras livres, onde são expostos produtos agrícolas oriundos de assentamentos e acampamentos do MST, começaram nos dias 22 e 23 de junho em Eunápolis, na praça do bairro Pequi, com a participação de assentamentos dos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália. Nos dias 04 e 05 de julho a feira foi realizada em Itabatã, distrito de Mucuri, na praça central da cidade. A cidade Alcobaça recebeu a feira nos dias 12 e 13; nos mesmos dias também foi realizada a feira de Itamaraju, na Praça da Independência, Cidade Baixa.  Ainda está agendada a feira de Itabela, para o dia 25. A feira regional, que envolve assentamentos de todo extremo sul, aconteceu nesse final de semana, dias 19 e 20, em Teixeira de Freitas.

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“Todas as feiras que realizamos até aqui tiveram adesão da saciedade. As pessoas compareceram em massa para comprar nossos produtos, pois conhecem a qualidade da produção de nossos assentamentos. Nossos produtos são orgânicos, sem agrotóxicos e pesticidas, são todos naturais e já são vendidos e todas as feiras regulares da região, movimentando a economia popular em todo extremo sul”, disse Evanildo.

A luta continua

Perguntado sobre as próximas mobilizações do Movimento Sem Terra, Evanildo disse que a luta não para. “Somos incansáveis na luta por nossos objetivos. Queremos consolidar o processo de reforma agrária no país, defendemos a reforma política, defendemos que a corrupção se torne crime hediondo. Sempre fomos às ruas protestar para fazer valer nossos direitos. Só iremos descansar quando nossos objetivos foram alcançados”, finalizou.

Para o vereador Paulo Vitor (PT), que esteve envolvido em todas as ações do Movimento nos últimos dias , o MST do extremo sul é referência em mobilizações sociais. “O Brasil vive um momento importante de lutas por melhorias em todas as áreas. O MST, que historicamente sempre foi referçência de luta social, não pode ficar de fora dessas mobilizações, pois muitos dos avanços que o Brasil conquistou até agora nós devemos aos Sem Terras. Que eles possam continuar incansáveis nessa batalha pela construção de um país melhor, para nós e para as próximas gerações”, disse.  

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