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Procura por celulares usados cresce 70%; preço é o maior atrativo

Em meio à crise e à redução do poder de compra do consumidor, celular bom é celular barato. Mesmo que ele seja um seminovo. A tendência tem feito aumentar a procura por smartphones usados, mercado que cresceu 60% em volume de negócios na Bahia, conforme aponta a plataforma de anúncios OLX. A diferença do preço de um usado para o valor de um novo pode ser até 70% mais barato – um bom negócio, inclusive, para quem está com a grana curta ou perdeu o aparelho durante os dias de Carnaval, por exemplo.

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“A categoria de smartphones e celulares da OLX foi a que mais vendeu no ano passado. Na Bahia, o número de negócios fechados foi superior a média nacional que ficou em 60%”, ressalta o chefe comercial da OLX Brasil, Marcos Leite. O volume de anúncios publicados cresceu no mesmo ritmo: “Verificamos um aumento de 60% no número de pessoas que postam anúncios de venda de smartphones. As pessoas querem ter aparelhos atuais com preços menores”.

Em 2015 foram vendidos 2 milhões de smartphones por intermédio da plataforma. Os produtos usados anunciados na OLX movimentaram no ano passado um volume total de R$ 70 bilhões, o que reforça a capacidade de expansão do segmento. “O usado na plataforma tem um preço mais baixo. O fator é determinante para o bom desempenho do mercado de usados”, avalia Leite.

Custo-benefício
Os últimos quatro celulares do publicitário Antônio Fernando Farias foram todos comprados de segunda mão. “A economia é muito grande, até porque quando comprava um celular novo ficava sempre com aquela sensação de que ia pagar caro por um produto que em pouco tempo estaria ultrapassado”, conta.

Na tentativa de pagar menos por mais, Fernando utiliza o celular antigo como moeda de troca por um aparelho melhor e completa o valor da diferença em dinheiro. “Da última vez, comprei um Samsung 4 Mini na caixa. Dei o meu Samsung 2 e mais R$ 200 na troca. Economizei uns R$ 300”.
De olho em um modelo mais avançado, ele começou mais uma pesquisa por outro seminovo que irá adquirir agora. Sua expectativa é gastar, no máximo, R$ 500. “Costumo utilizar as plataformas de anúncio de usados e as redes sociais. Lá consigo encontrar um celular que cabe dentro do que posso pagar”, comenta o publicitário.

Para o auxiliar em eletrônica Luan Vieira, a compra de um seminovo, além de aliviar o orçamento, evita um endividamento futuro. “Você faz negócio com o dinheiro que pode gastar”, afirma.
Com o mesmo valor da parcela de um celular zerado, Luan comprou um usado por R$ 100. “Quando o dinheiro está apertado, então, qualquer ‘precinho’ vale a pena. Hoje celular é uma necessidade. A gente se vira com aquele aparelho que consegue comprar mais barato, sem deixar de lado a qualidade que ele não deixa de ter só porque é usado”.

Longe da crise
A venda de celulares usados cresce em um cenário em que o mercado de smartphones novos encerrou o ano em queda no Brasil. De julho a setembro de 2015, aproximadamente 10.753 milhões de celulares inteligentes foram vendidos, 25,5% a menos na comparação com o mesmo período do ano passado, como aponta o estudo feito pela empresa IDC Brasil, especializada em mercados de consumo em massa de tecnologia.

Além da alta do dólar e do baixo desempenho da economia, o analista de pesquisas do IDC Brasil, Leonardo Munin, aponta o aumento do ciclo de vida dos smartphones como uma das razões para a queda nas vendas. “Assim que o fim da isenção de impostos começar a valer, o preço final dos produtos deve ficar 10% mais caro na ponta e refletirá diretamente no desempenho das vendas”, analisa.

Enquanto isso, quem aposta na compra, venda e troca de seminovos, comemora. Na Ziggo, a expectativa é crescer cinco vezes mais do que no ano passado, como projeta o sócio fundador da plataforma, Guilherme Macedo.

“Crescemos 35% no último trimestre do ano, comparado com o trimestre anterior. O cliente realmente está querendo um produto barato. A crise fez também com que o consumidor aumentasse a confiança com relação ao produto usado”.

Para o presidente da Brightstar, José Froes, a projeção de crescimento é tão boa que a empresa deve investir este ano, aproximadamente, R$ 240 milhões. A meta é comprar e revender cerca de 400 mil celulares. “As ofertas estão cada vez mais atraentes e agradam aos novos consumidores, principalmente aqueles que sonham em ter um smartphone top de linha a um preço acessível”.

Consumidor deve ter cuidado na hora de comprar aparelho usado
Na hora de comprar um celular usado é preciso ficar atento para evitar problemas mais tarde. A orientação é da coordenadora de processos do Procon-BA, Alba Costa. “Antes de fechar a compra, vale levar em consideração as características do produto e pesquisar a reputação do vendedor ou da loja onde está adquirindo o seminovo”, recomenda.

Ela explica que caso o celular seja adquirido da mão de terceiros – sem nenhuma relação de consumo com uma loja – o cuidado precisa ser redobrado. “Nesses casos, o Direito do Consumidor não tem como garantir a aplicação do código de defesa”.

Desconfie, principalmente se o preço estiver muito abaixo do valor do produto ou da média que está sendo vendido como usado. O técnico em mecatrônica Rafael Luiz foi atraído por um celular R$ 900 mais barato do que o valor original do modelo que queria. “Comprei no escuro. O preço era muito barato, um aparelho que custava R$ 2 mil estava sendo vendido por um amigo de um amigo por R$ 1 mil. Depois de um mês, a placa mãe apresentou problemas e tive que arcar com o prejuízo”.

Só o conserto custava o mesmo valor que ele tinha pago pelo celular. “Acabei revendendo para uma assistência que poderia reaproveitar as outras peças”, conta.

Sites especializados oferecem garantia de até 90 dias. Quem optar pelas lojas virtuais tem garantido ainda o direito de arrependimento, sem precisar justificar o motivo da devolução. Por ser uma compra a distância, o consumidor pode desistir da compra num prazo de até 7 dias a contar da data de recebimento do produto.

Por | correio24horas

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