29 agosto, 2025
sexta-feira, 29 agosto, 2025

Fake news ameaçam a vacinação infantil no Brasil

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Segundo a OMS, 229 mil crianças brasileiras não foram vacinadas em 2024. Movimento antivacina é um dos responsáveis. Crédito: Peter Hansen/iStock

Durante décadas, o Brasil se destacou como um modelo global de vacinação infantil, com campanhas eficazes e uma população engajada. No entanto, um fenômeno alarmante está em curso: o país voltou a figurar entre os 20 com maior número de crianças não vacinadas, conforme dados do Unicef. O que aconteceu com esse exemplar sistema que outrora era motivo de orgulho?

Em 2024, a Organização Mundial de Saúde (OMS) relatou que 229 mil crianças brasileiras não receberam vacinas, um aumento alarmante de 126 mil em relação ao ano anterior. Globalmente, cerca de 14,3 milhões de crianças ficaram sem vacinação – um reflexo do crescimento do movimento antivacina, que inquieta especialistas e autoridades.

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Especialistas afirmam que o Ministério da Saúde precisa investir em comunicação para combater notícias falsas e incentivar campanhas de vacinação. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A queda na cobertura vacinal é preocupante. Em 2015, o Brasil registrou uma taxa de 97%, mas em 2020, esse número caiu para 75%. Segundo o médico infectologista Fernando Bellissimo Rodrigues, essa tendência é impulsionada por uma epidemia de desinformação que circula nas redes sociais, onde a intenção de alguns indivíduos vai além de meramente reduzir a vacinação – o foco é lucrar à custa da desinformação.

Entre as causas identificadas para essa queda estão:

  • Aumento do movimento antivacina
  • Disseminação de fake news nas redes sociais
  • Lucro com desinformação digital
  • Percepção equivocada de que as doenças foram erradicadas
  • Menor conscientização sobre os riscos do sarampo e pólio

Para reverter esse quadro, Rodrigues sugere que o Ministério da Saúde implemente campanhas nacionais que desmistifiquem as informações falsas sobre vacinas. Tais iniciativas seriam fundamentais para educar a população. Além disso, ele defende a ampliação de agentes comunitários de saúde que possam visitar as famílias e garantir que as crianças estejam com a imunização atualizada.

O Programa Nacional de Imunização (PNI) tem, sim, condições de ofertar e vacinar todos. O que precisamos é levar essas crianças para as unidades de saúde.

Fernando Bellissimo Rodrigues, médico infectologista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

Entretanto, a batalha não se limita às fake news. Há uma crença errônea de que as doenças contagiosas estão completamente erradicadas no Brasil. A pediatra Jorgete Maria e Silva destaca que, após a diminuição de casos de sarampo e poliomielite entre 2012 e 2016, muitos passaram a acreditar que a vacinação não era mais necessária. Esse estado de complacência facilitou o retorno de doenças antes controladas.

Por exemplo, em 2024, o Brasil registrou seu primeiro caso de poliomielite em 34 anos, associado a uma criança de três anos que não tinha recebido todas as vacinas recomendadas. Jorgete alerta que o impacto disso é a reemergência de surtos de doenças que poderiam ser prevenidas.

O maior impacto é trazer doenças imunopreveníveis, como surtos de sarampo, coqueluche e poliomielite.

Jorgete Maria e Silva, pediatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.

Para mudar essa realidade, é necessário que o Ministério da Saúde ganhe visibilidade nos meios de comunicação e reforce a importância das vacinas, investindo na educação da população, especialmente nas comunidades mais vulneráveis. Seu papel é fundamental para garantir que as crianças voltem a estar protegidas e saudáveis.

E você, o que pensa sobre essa realidade? Como podemos juntos promover a vacinação infantil? Compartilhe suas ideias nos comentários!

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