INSS: advogado fora do radar da PF recebeu R$ 4 milhões de entidades

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Um intrigante desdobramento da Operação Sem Desconto, realizada pela Polícia Federal, revela a atuação do advogado Cecílio Galvão, que apesar de não ter sido alvo das investigações, recebeu impressionantes R$ 4 milhões de associações suspeitas ligadas ao escândalo de descontos indevidos sobre aposentadorias. Essas associações, conhecidas por sua atuação controversa, estavam envolvidas em um esquema que já chacoalhou o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Cecílio, com uma consolidada presença em Brasília, é alvo de atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) devido a movimentações financeiras questionáveis. Ele gere uma consultoria que atende diversos institutos de previdência no país e, curiosamente, chegou a contratar o filho do ex-diretor do INSS, que tem seus próprios laços com a corrupção.

Originário de uma destacada família política de Pernambuco, Galvão tem um histórico que remonta a décadas, incluindo sua passagem pelo PTB e sua atuação na Assembleia Legislativa, onde ficou como suplente. Com forte influência, ele estabeleceu contratos com municípios e entidades previdenciárias, sempre levando para os corredores do poder um discurso focado na previdência e nas necessidades dos aposentados.

Em sua empresa, a Crédito & Mercado, Galvão buscou capitalizar sobre a situação das prefeituras que investiram em fundos de previdência no Banco Master, alvo de sérias acusações de fraude. Notavelmente, sua consultoria promoveu uma palestra de Eric Fidelis, ligada ao ex-diretor do INSS, que levantou preocupações sobre os laços profundamente enraizados na Farra do INSS.

As associações que Galvão ajudava a representar, Unibap e Ampaben, embolsaram milhões de reais com descontos em aposentadorias. Um relatório do Coaf revelou que a Abenprev pagou R$ 3,1 milhões a Galvão, enquanto a Unibap repassou R$ 888 mil. Este cenário evidencia a existência de um complexo emaranhado de interesses que gira em torno das aposentadorias e dos direitos dos trabalhadores.

Em resposta às alegações, Galvão defende que foi “contratado para prestar assessoria jurídica” e que seus contratos foram formalizados de acordo com os procedimentos estipulados. Ele também enfatiza que a sua empresa apenas fornece análises técnicas e que não participa da escolha de investimentos dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).

Por outro lado, a Crédito & Mercado ressalta que não tem vínculos com o Banco Master, enfatizando que a decisão final sobre aplicações financeiras cabe exclusivamente à gestão dos RPPS. No entanto, a complexidade do cenário e a intersecção entre política e previdência pública continuam a suscitar questionamentos sobre a transparência e a ética no setor.

O que você pensa sobre o papel dos advogados e consultorias em questões tão delicadas como a previdência? Deixe seu comentário abaixo e participe dessa discussão importante!

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