
No tumultuado cenário eleitoral de Honduras, a escolha do próximo presidente paira sob uma pressão sem precedentes. Neste domingo, 30, os hondurenhos amanheceram para decidir entre o conservador Nasry Asfura, e a candidata de esquerda Rixi Moncada, em um pleito que promete ser decisivo para o futuro do país. O influente presidente dos EUA, Donald Trump, lançou uma advertência que reverberou entre os eleitores: a interrupção de qualquer ajuda financeira americana caso Asfura, o ex-prefeito de 67 anos, não triunfasse nas urnas.
Com um histórico de fraudes eleitorais e golpes de Estado, Honduras se vê frente a um momento decisivo. O ato de votar, que guarda a esperança de mudança, chega em meio a um clima de desconfiança, exacerbado por uma campanha marcada por acusações de corrupção entre os concorrentes. Aproximadamente 6,5 milhões de cidadãos estão prontos para escolher o sucessor da atual presidente, Xiomara Castro, em um sistema de votação que não oferece margem para erros; a escolha também determinará deputados e prefeitos para os próximos quatro anos.
Asfura, representando o Partido Nacional, enfrenta uma competição acirrada contra Moncada, advogada de 60 anos e candidata do partido governista, Liberdade e Refundação, além de Salvador Nasralla, um conhecido apresentador de televisão e candidato do Partido Liberal. Em um ambiente de rivalidade intensa, os candidatos se acusam mutuamente de tramas fraudulentas, com a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Ana Paola Hall, pedindo que não se alimentem discórdias que possam resultar em violência.
A tensão aumentou quando Moncada desconsiderou os resultados preliminares que o CNE poderia anunciar, insistindo que a verificação ocorreria apenas através da apuração das 19.167 atas de votação, um processo que pode se alongar por dias. Enquanto isso, Trump, em um tom alarmista, associou a vitória de Moncada ao controle do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua suposta rede de “narcoterroristas”. Para Trump, Asfura é o bastião da liberdade em Honduras.
Em meio a acusações ferrenhas, personagens chave como Moncada são rotuladas de “comunistas” por seus opositores, e Nasralla, embora anteriormente aliado a Moncada, é descrito como “meio comunista”. Para reforçar seu apoio a Asfura, Trump anunciou o indulto ao ex-presidente Juan Orlando Hernández, condenado por narcotráfico, em um movimento que poderá ter ramificações complexas para a operação antidrogas na região.
Com uma elevada pobreza afetando 60% da população e um PIB alimentado em 27% pelas remessas de emigrantes, a pressão que Trump exerce sobre o país é significativa. As eleições ocorrem sob um estado de exceção parcial, instaurado devido à violência sistêmica que permeia a sociedade hondurenha, onde o narcotráfico se instalou como um produtor ativo, tornando o país não só uma rota de passagem.
Com as urnas abertas até as 17h00 (20h00 de Brasília), a contagem dos votos está a poucos passos de ser iniciada, prometendo resultados que moldarão a trajetória de Honduras nos próximos anos. Comente abaixo: o que você espera dessa nova fase eleitoral? Como vê o futuro do país diante dessas ameaças externas e internas?