
No cenário financeiro, os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) têm se destacado, projetando-se para fechar o ano com uma impressionante marca de quase R$ 60 bilhões em captações líquidas. Essa cifra coloca os FIDCs em segundo lugar, apenas atrás dos fundos de renda fixa, que lideram com mais de R$ 180 bilhões. Esse crescimento robusto reflete um mercado em transformação, onde novas regras e um apetite crescente por crédito estruturado estão criando um ciclo virtuoso que deve perdurar.
Roberto Cortese, diretor regional da Apex Group para a América Latina, observa que o ritmo atual surpreende até os veteranos do setor. Nos últimos meses, a diversificação das estruturas de captação e a entrada de novas players, incluindo empresas de médio e pequeno porte, têm contribuído para essa ascensão. Para muitos, os FIDCs se tornaram uma alternativa promissora de financiamento.
Esse aumento na variedade de setores — do varejo a serviços especializados — exige um reforço nas práticas de due diligence e na Provisão para Devedores Duvidosos (PDD). A Apex, já na vanguarda, havia iniciado a preparação de sua “fábrica de esteiras”, uma automação customizada para diferentes tipos de fundos, antes mesmo da explosão desse mercado.
Cristiano Greve, head de estruturação da Integral Investimentos, aponta para um amadurecimento notável no setor. A alocação de investidores institucionais cresceu de R$ 207 bilhões para R$ 271 bilhões em um ano, enquanto o varejo de alta renda triplicou sua participação, atingindo R$ 32,6 bilhões. “Os investidores estão em busca de ativos que protejam o patrimônio e ofereçam rentabilidades atraentes. Nesse contexto, os FIDCs se destacam, apresentando garantias robustas e criteria de elegibilidade bem definidos”, explica Greve.
Daniel Pegorini, CEO da Valora Investimentos, complementa que o ingresso dos grandes bancos como compradores de cotas sêniores tem contribuído para o fortalecimento do mercado. Essa movimentação resulta na redução do custo de capital das estruturas, possibilitando a entrada de mais empresas e ampliando as operações. Operações como consignado e FGTS saque-aniversário agora apresentam senioridades que antes pareciam inviáveis.
Com marcos regulatórios que moldaram o ambiente, como o evento Silverado em 2015 e a recente Resolução 175 da CVM, a governança melhorada e as estruturas otimizadas têm trazido benefícios significativos, incluindo incentivos tributários. Para Pegorini, esta reestruturação foi crucial, permitindo que os FIDCs demonstrassem resiliência e continuassem a prosperar, mesmo em meio a desafios representados por outras classes de ativos.
Ao olhar para o futuro, os especialistas vislumbram oportunidades em áreas ainda inexploradas, como precatórios e NPLs (Non-Performing Loans), além do consignado privado, que, apesar de amplos volumes, ainda tem uma porcentagem pequena securitizada via FIDCs. Os riscos regulatórios existem, mas fazem parte do jogo. O que se observa é um mercado que atingiu um novo estágio de maturidade, pronto para novos desafios e conquistas.
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