Em uma tarde marcada por constrangimento, três adolescentes negras, de apenas 12, 13 e 15 anos, viveram uma experiência traumática nas dependências do JK Shopping, em Taguatinga (DF). Submetidas a uma revista íntima ilegal, elas foram obrigadas a levantar suas blusas sob a supervisão de seguranças e da gerente da loja Império das Maquiagens. O que deveria ser um simples passeio de compras transformou-se em um ato de violência e humilhação.
As jovens, que haviam acabado de adquirir produtos na loja, foram interceptadas ao saírem e logo se viram seguidas. A gerente, Camila, alegou ter notado um “comportamento estranho” nas câmeras de segurança e as conduziu para uma área restrita, distante dos olhares curiosos do público. Sob pressão, tiveram que abrir suas bolsas e esvaziar os bolsos, antes de enfrentarem a dolorosa exigência de levantar as roupas.
A revista, que se revelou infrutífera, culminou na afirmação da gerente de que as adolescentes estavam “dispensadas”, sem um pedido de desculpas. A ausência de qualquer item furtado apenas intensificou a indignação, colocando em evidência um sistema que, muitas vezes, atua de forma discriminatória.
Imediatamente, a família das jovens decidiu buscar justiça. O advogado Ricardo Castro enfatizou o caráter abusivo da abordagem, ressaltando que o racialismo estruturado permeia o episódio. “Três adolescentes negras foram levadas para uma sala reservada e revistadas de forma íntima, algo que é proibido por lei. As circunstâncias aqui revelam um racismo estrutural inegável”, comentou Castro.
Requerendo uma resposta, a administração do shopping e o proprietário da loja foram contactados. Em nota, o JK Shopping confirmou que os relatos de constrangimento foram notificados e que a equipe de segurança acompanhou a situação, visando a integridade de todos os envolvidos. O shopping reafirmou sua política de não tolerar discriminação ou conduta inadequada, buscando garantir um ambiente respeitoso para todos.
Enquanto isso, o proprietário da Império das Maquiagens não havia se posicionado ao fechamento desta reportagem, deixando espaço para que outras vozes se manifestem. É um momento que exige reflexão e posicionamento. Que medidas podem ser tomadas para garantir que episódios como este não se repitam? A sua opinião é fundamental para esta discussão.