Um juiz federal rejeitou a indenização e a pensão vitalícia de um policial militar de Goiás, que alegou ter sido exposto à radiação ao atuar no isolamento de áreas contaminadas pelo Césio-137. Na decisão, o juiz Leonardo Buissa Freitas destacou que não existem provas concretas que vinculem as doenças apresentadas pelo PM à exposição ao material radioativo.
O policial, que ingressou na PM em 1990, providenciou serviços na cidade de Abadia de Goiás, local do depósito de rejeitos radioativos após o famoso acidente de 1987. Segundo seus relatos, ele atuou sem receber equipamentos de proteção adequados e sem orientações sobre os riscos envolvidos. Ele argumenta que essa falta de suporte contribuiu para problemas de saúde, especialmente psicológicos.
No entanto, o juiz afirmou que a negativa à indenização decorre da não realização de uma perícia médica, essencial para comprovar a exposição ao Césio-137. “Sem a avaliação técnica da junta médica, não há como enquadrar o demandante nas hipóteses da legislação”, afirmou Buissa. Ele reafirmou que a ausência de documentos que comprovem a situação inviabilizou o progresso do pedido.
“O autor deve fornecer um início de prova ou submeter-se aos exames que o Estado coloca à disposição. Ao se esquivar da perícia, o autor inviabilizou a confirmação do nexo causal”, declarou o magistrado.
Assim, o juiz determinou que falta de provas é o principal motivo para a rejeição do pedido de indenização. A defesa do policial não foi localizada para comentar o desfecho do caso.
Césio-137: Um Desastre Irreparável
O acidente com o Césio-137 em Goiânia, que resultou em 1987, é lembrado como o maior desastre radiológico do Brasil. Originou-se da retirada de uma cápsula de um aparelho de radioterapia abandonado, o que levou a consequências trágicas para a população. Quase quatro décadas depois, muitos sobreviventes ainda carregam as sequelas dessa contaminação.
Atualmente, as pensões para as vítimas estão estruturadas em dois grupos: R$ 3.242 para radiolesionados que tiveram contato direto e R$ 1.621 para outros beneficiários, com os valores recentemente reajustados pelo governo de Goiás. Essas cifras refletem um longo processo de luta por reconhecimento das vítimas do Césio-137.
Memórias Radioativas: Testemunhos e Repercussões
A série de reportagens “Memórias Radioativas” do Metrópoles detalha as experiências das vítimas e a jornada após a tragédia. Os relatos ressaltam o impacto profundo que o Césio-137 teve na história de Goiás e nas vidas de quem foi afetado. Este capítulo triste da história brasileira ainda ressoa, mostrando como a negligência pode resultar em consequências devastadoras.
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