Estudo revela que 56% das crianças na Bahia têm acesso a telas antes dos 8 anos

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Mais da metade das crianças baianas usa celular antes dos 8 anos

O uso de smartphones por crianças na Bahia revela um alarmante dado: **23,7%** das crianças começam a interagir com a tecnologia antes dos 6 anos. Essa estatística é parte de uma pesquisa conduzida pela **AtlasIntel** em parceria com o **Jornal A TARDE**, que expõe como a tecnologia está moldando a infância no estado. O acesso precoce se torna ainda mais preocupante, com **32,4%** das crianças de 6 a 8 anos se tornando novos usuários, totalizando mais de **56%** antes da alfabetização completa.

O impacto perigoso do uso prematuro

A psicóloga Laíse Brito alerta que essa exploração das telas não é simplesmente uma fase divertida, mas uma **violação do desenvolvimento biológico**. Até os 2 anos, o cérebro da criança atinge **75%** do seu potencial. O uso excessivo de tecnologia prejudica a regulação emocional, substituindo a interação humana essencial por uma conexão fria com dispositivos. Resultados preocupantes foram observados por pais, com **46,2%** relatando irritabilidade e **40,3%** notando distúrbios do sono.

Desigualdade social no acesso às telas

O estudo ainda destaca diferenças sociais na exposição à tecnologia. Em famílias com renda acima de R$ 10 mil, **47,7%** das crianças usam dispositivos antes dos 6 anos. Enquanto isso, nas faixas de menor renda, a maioria espera até os 12 anos para conceder acesso. Estranhamente, são as famílias de baixa renda que parecem mais preocupadas com os riscos, com **90,5%** impondo limites ao uso. A psicóloga esclarece que, embora as classes altas tenham acesso mais fácil, isso não garante saúde mental: as telas frequentemente servem como um “alívio” para cuidadores sobrecarregados.

Apesar de **97,3%** dos pais reconhecerem os riscos do uso excessivo das telas, há uma desconexão entre o conhecimento e a prática. Apenas **46%** se sentem informados sobre prejuízos cognitivos, enquanto **56%** estão alarmados com as implicações para a saúde mental.

Mulheres como defensoras contra os excessos digitais

Além disso, a pesquisa revela que **46%** das mães acreditam que o celular traz mais prejuízos, em comparação com apenas **30,4%** dos pais. Esta diferença resulta em práticas de monitoramento mais robustas entre as mães, com um alto percentual aplicando limites e promovendo diálogo com os filhos sobre o uso da tecnologia.

As crianças entre 5 e 8 anos usam o celular principalmente para jogos, enquanto adolescentes privilegiam ferramentas de comunicação e estudo, como WhatsApp e Discord. Essa exposição a ambientes virtuais propensos a recompensas imediatas pode criar uma **desconexão perigosa** com a realidade.

A maturação do cérebro humano ocorre por volta dos 24 anos, colocando os jovens em um caminho arriscado, onde eles podem confundir a vida virtual com a real. Este alerta reforça a necessidade urgente de um debate sobre o uso consciente da tecnologia nas infâncias.

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