Escândalo de venda de passaportes vacinais revela táticas de grupos antivacinas nas redes sociais

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Comprovantes de vacinação falsos estão proliferando em grupos do Telegram, sendo vendidos entre R$150 e R$200. Esses documentos fraudulentos atendem principalmente negacionistas que buscam evitar a imunização em ambientes como escolas, impactando diretamente a saúde pública.

Desinformação em Números

Estudos da Universidade Federal da Bahia revelam um alarmante número de 86.568 postagens de desinformação sobre vacinas só no Telegram, de abril de 2025 a março de 2026. Pesquisadores identificaram 542 canais e 286 grupos ativos nessa disseminação de informações falsas. Dentro desse contexto, a prática de vender comprovantes falsos se intensifica. Após uma simples transferência via PIX, os interessados obtêm o documento sem nunca terem sido vacinados.

Exemplos de como essa fraude opera são preocupantes: usuários exibem certificados de vacinação nos grupos, gerando uma rede de falsas certezas. A postagem mais compartilhada atingiu a marca de 1923 republicações, evidenciando a eficácia da desinformação.

O Papel do Telegram

O Telegram surge como um verdadeiro centro de campanhas antivacina, devido à facilidade para automação e à proteção que oferece a extremistas. Leonardo Nascimento, do Laboratório de Humanidades Digitais (Lab HD/Ufba), destaca que “bots” são utilizados para enviar mensagens de maneira massiva e padronizada, promovendo o comércio de certificados falsos. A linguagem persuasiva dessas postagens busca criar uma sensação de urgência e validação de imunização.

Apesar da predominância do Telegram, outras redes sociais, como Instagram e YouTube, alimentam esse ciclo vicioso. Convites para grupos extremistas se espalham, ampliando a radicalização e exposição a conteúdos prejudiciais.

A comercialização desses passaportes fictícios é promovida como uma forma de defesa familiar e patriotismo. O epidemiologista Márcio Natividade, do Instituto de Saúde Coletiva da Ufba, observa que essa desinformação atua como uma infecção danosa, contribuindo para a queda das coberturas vacinais. A falta de vacinação resulta em um ciclo vicioso de aumento de doenças, hospitalizações e mortes.

Com registros alarmantes de não cumprimento das metas vacinais na Bahia, a situação se torna ainda mais crítica. Adriano Oliveira, médico infectologista, alerta que a baixa taxa de vacinação propicia a circulação de vírus, provocando nova onda de doenças e sequelas. A urgência de combater a desinformação é clara, com os dados da Bahia e do Brasil destacando um impacto global durante a pandemia de Covid-19.

A situação exige ação imediata. A sua voz é fundamental nesse debate. O que você pensa sobre a divulgação de informações enganosas que afetam a saúde pública? Compartilhe seus comentários!

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