Três pessoas foram indiciadas pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) por intolerância religiosa. A investigação foi instaurada após a divulgação, em um grupo com pais de alunos do Centro de Ensino Fundamental 1 (CEF 1) do Varjão, de um vídeo com ataques a religiões de matriz africana.
A gravação foi feita em frente ao colégio pela mãe de um ex-aluno da unidade. Nas imagens, ela critica uma atividade cultural realizada na escola e ataca o professor responsável pela aula.
“Tá acontecendo aqui no CEF 1 do Varjão. Professor ensinando a tocar tambor. Olha bem até onde vai o nível dos professores hoje em dia. Vê se tem condição um negócio desse. Esse professor é enviado do Satanás. O que ele vai ensinar aí? Isso é cultura? É o quê?”, questiona a mulher no vídeo.
Além do vídeo gravado na entrada da escola, também foram compartilhados no mesmo grupo áudios com ofensas e manifestações de intolerância contra religiões de matriz africana.
De acordo com a delegada-chefe da Decrin, Ângela Santos, uma mulher de 48 anos e dois homens, de 52 e 60 anos, foram indiciados por discriminação religiosa, crime previsto na Lei do Racismo.Os três envolvidos são pais de ex-alunos do CEF 1.
“Como as ofensas foram disseminadas em rede social, o crime teve a pena aumentada. Caso sejam condenados, os investigados podem cumprir uma pena de até cinco anos de reclusão”, explicou a delegada.
Casos de intolerância religiosa crescem 350%
Os registros de crimes de preconceito vêm crescendo no Distrito Federal nos últimos 10 anos, aponta a Polícia Civil (PCDF). Os casos de discriminação religiosa, em especial, vêm chamando a atenção das forças de segurança.
Para se ter a dimensão do aumento, a PCDF registrou 16 ocorrências de discriminação religiosa em 2017. Em 2025, o número saltou para 73 boletins, representando alta de 356%.
Os dados são da própria PCDF, solicitados pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação (LAI). O levantamento faz recorte de 2017 a março de 2026.
Veja em detalhes:
O levantamento completo da PCDF elenca ainda crimes como injúria preconceituosa por sexo ou gênero, discriminação racial, discriminação por orientação sexual, entre outros. Há alta nos registros em quase todos os delitos.
Os números de 2026, isto é, entre janeiro e março, comprovam a escalada preocupante: já são 20 ocorrências de discriminação religiosa registradas na PCDF no período, número superior aos 16 casos de 2017; aos 13 de 2018; aos 10 de 2019; e aos oito de 2020.
O levantamento completo da PCDF elenca ainda crimes como injúria preconceituosa por sexo ou gênero, discriminação racial, discriminação por orientação sexual, entre outros. Há alta nos registros em quase todos os delitos.
Os casos de injúria racial, por exemplo, dobraram. Em 2017, a PCDF registrou 431 ocorrências. O número foi aumentando ao longo dos anos até chegar a 870 casos em 2025, representando alta de 101,8%.