Flávio Bolsonaro e suas tentativas de conquistar o eleitorado feminino e evangélico
Ricardo NoblatRepórter de Ricardo Noblat13/06/2026 05:30, atualizado 13/06/2026 10:52
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Flávio Bolsonaro, buscando reforçar sua imagem diante do eleitorado evangélico e feminino, tem enfrentado desafios que mostram um distanciamento crescente de sua base. A tentativa de se distanciar da imagem de seu pai, o atual presidente, tem gerado frieza entre os eleitores.
Recentemente, Flávio começou a usar colete à prova de balas em eventos públicos, uma alusão à facada recebida pelo pai. No entanto, sua estratégia para se apresentar como uma versão mais moderada falha ao deixar claro que, na essência, segue os mesmos padrões do pai. Sua presença na Marcha para Jesus, que costumava atrair milhões, viu uma queda drástica, com apenas 40 mil comparecendo neste ano, evidenciando que os evangélicos não se sentem representados por suas ações.
Enquanto o pai havia prometido transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, Flávio, em um gesto simbólico, rezou no Muro das Lamentações sem saber o que dizer. Isso levanta questionamentos sobre a autenticidade de sua devoção e a real conexão com a comunidade judaica.
Ao considerar uma vice, Flávio, que anteriormente trocou uma prometedora candidata por um general, agora olha para Tereza Cristina, que se opõe a se envolver, e Júlia Zanatta, uma defensora ardorosa de Bolsonaro, que almeja a posição. Zanatta, conhecida por seu papel em tentativas de anistia aos golpistas do 8 de janeiro, ainda luta com questões de credibilidade, como demonstrado em uma recente entrevista sobre inflação, onde precisou consultar o Google para se atualizar.
É importante ressaltar que as mulheres representam a maior parte do eleitorado brasileiro. Em 2022, elas foram essenciais para a vitória de Lula sobre Bolsonaro. Nas mais recentes pesquisas, 47,6% das mulheres preferem votar em Lula, enquanto 39% optam por Flávio. Entre os homens, a disputa é mais acirrada, próxima ao empate.
A busca de Flávio por uma candidata a vice não é motivada por um genuíno apreço pelas mulheres, mas sim por uma necessidade política urgente. Para conquistar a confiança do eleitor, Flávio precisa garantir a viabilidade de sua própria candidatura, que atualmente demonstra fraqueza e está sob ameaça. Historicamente, eleitores não se sentem atraídos por candidaturas em dificuldades, muito menos por uma posição de vice.
Diante de todo o cenário, resta saber se Flávio conseguirá estabelecer uma conexão genuína com seu eleitorado, ou se continuará a ser visto como uma sombra da imagem do pai.