
Mandados são cumpridos em três municípios baianos após investigação apontar continuidade de atividades criminosas e uso de substâncias altamente tóxicas.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18), a Operação Lixiviação II, com o objetivo de desarticular um suposto esquema de extração ilegal de ouro, lavagem de dinheiro e crimes ambientais que vinha sendo desenvolvido na região de Nordestina, no interior da Bahia, e municípios vizinhos.
Ao todo, estão sendo cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal, nos municípios de Nordestina, Quijingue e em uma área rural de Cansanção. As diligências atingem imóveis residenciais, empresas e locais utilizados para a extração e beneficiamento mineral ligados ao grupo investigado.
De acordo com as apurações, o principal suspeito teria mantido e até ampliado suas atividades criminosas mesmo após operações anteriores da PF. A investigação aponta que a organização utilizava estruturas clandestinas para recuperação de ouro por meio do processo de lixiviação com cianeto, uma substância altamente tóxica e controlada por órgãos governamentais devido ao seu elevado potencial de contaminação ambiental.
Os investigadores identificaram ainda a existência de uma estrutura organizada, com divisão de funções entre colaboradores, gerenciamento de áreas de garimpo e operação de laboratórios clandestinos destinados à recuperação do chamado “ouro fino”, técnica considerada altamente poluente e nociva ao meio ambiente.
Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi o suposto esquema de lavagem de dinheiro, caracterizado pela movimentação de altos valores em contas bancárias, utilização de terceiros para ocultação patrimonial, saques em espécie e aquisição de bens em nome de familiares e colaboradores, com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem dos recursos.
Segundo a PF, as investigações demonstraram a continuidade das práticas criminosas mesmo após ações policiais anteriores, elevando os riscos à ordem pública, ao meio ambiente e à saúde coletiva.
O principal acusado, que estava foragido da Justiça em decorrência de um mandado de prisão preventiva expedido em investigação anterior, foi localizado e capturado no último dia 9 de junho de 2026.
Os envolvidos poderão responder pelos crimes de usurpação de bens da União, extração ilegal de recursos minerais, organização criminosa, posse de artefatos explosivos e lavagem de dinheiro.