O espetáculo “Ibanujé – O Corpo como Memória Ancestral” será apresentado em julho em quatro cidades da Bahia: Salvador, Itabuna, Irecê e Ibititá. Com uma proposta gratuita, a montagem é acompanhada de oficinas e rodas de conversa que abordam a identidade e cultura afro-brasileira, além do impacto da arte na transformação social.
Essa iniciativa faz parte do edital Quarta que Dança, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), e busca unir diversos públicos a uma experiência artística que celebra a memória e a ancestralidade.
Corpo como memória
Criado pelo historiador e coreógrafo Toni Silva, o espetáculo explora a ideia de que os corpos contêm histórias e experiências transmitidas ao longo das gerações. A dramaturgia é baseada em pesquisas dos orixás Oxum, Iansã, Ogum e Oxalá, utilizando uma linguagem cênica atual. Toni Silva ressalta que a proposta não visa reproduzir rituais religiosos, mas sim estabelecer um diálogo criativo com tradições africanas e seus significados.
“Dançar é ativar essas memórias, permitindo que elas se mantenham vivas e se reinventem continuamente”, afirma o coreógrafo.
Três atos rumo à ancestralidade
O espetáculo é dividido em três partes, cada uma apresentando dimensões distintas da ancestralidade. No primeiro ato, Origem, são resgatadas memórias dos povos africanos e da diáspora, destacando a resistência da cultura afro-brasileira.
O segundo ato, Corpo-Território, reafirma o corpo como um espaço de identidade e resistência, incorporando elementos da capoeira, samba de roda e dos rituais africanos. O fechamento, denominado Axé: o Futuro Ancestral, convida à reflexão sobre a criatividade da ancestralidade negra e sua conexão com o tempo.
Fomentando a educação e a arte
Além das apresentações, serão realizadas oficinas e rodas de conversa voltadas para o público escolar, artistas e agentes culturais. Os encontros discutirão temas como dança afrodiaspórica, identidade cultural e educação antirracista, promovendo um intercâmbio entre a arte e a comunidade.
O objetivo é valorizar a cultura afro-brasileira e contribuir para o combate ao racismo, reconhecendo a diversidade cultural presente no Brasil.
Trajetória do criador
Natural de Ibititá, na Chapada Norte da Bahia, Toni Silva formou-se artisticamente em Salvador e, há mais de duas décadas, vive no Vale do Capão, onde se destaca como referência na dança afro. Fundador da Companhia de Dança Ominirá, ele também é idealizador do Festival Vale que Dança e realiza ações culturais voltadas para a comunidade.
Com formação em História e especialização em Dança, Toni tem se dedicado a pesquisas sobre dança afrodiaspórica, recebendo o Prêmio Nilda Spencer em reconhecimento à sua contribuição cultural.
Acessibilidade em evidência
Todas as apresentações contarão com recursos de acessibilidade. As rodas de conversa terão interpretação em Libras e haverá uma visita sensorial para pessoas com deficiência visual, além de recursos para atender pessoas autistas ou com sensibilidade sensorial.
Programação dos espetáculos:
Salvador
- Data: 8 de julho
- Local: Espaço Xisto
- Oficina: 16h
- Espetáculo: 19h
Itabuna
- Data: 15 de julho
- Local: Centro de Cultura Adonias Filho
- Oficina: 16h
- Espetáculo: 19h
Irecê
- Data: 22 de julho
- Local: Colégio Estadual Prof. Jorge Rodrigues
- Espetáculo: 10h
- Oficina: 14h
Ibititá
- Data: 29 de julho
- Local: Escola Municipal Hermano Marques Dourado
- Oficina: 16h
- Espetáculo: 18h