Ex-primeira-dama aguarda convenções para bater o martelo após deixar PL Mulher; Partido Liberal estuda alternativas
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A declaração do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de que Michelle Bolsonaro não deve disputar uma vaga no Senado após deixar o comando do PL Mulher em meio à briga com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é vista como uma tentativa de pressionar a ex-primeira-dama a bater o martelo sobre seu destino na política.
Na última quinta-feira (2/7), o cacique disse que a esposa de Jair Bolsonaro declarou, durante a reunião que tivera com ela um dia antes, que talvez não fosse candidata ao Senado.
A declaração contradiz esforços de aliadas próximas a Michelle, como a senadora do Distrito Federal Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora Celina Leão (DF), que se reuniram com ela pouco depois da reunião com Valdemar e reafirmaram que Michelle pode ainda disputar uma das duas vagas à Casa Alta pelo DF.
Fontes próximas à Michelle veem a declaração do presidente do PL como uma maneira de pressionar a esposa de Bolsonaro a decidir se será candidata ou não- uma condição que poderá colocá-la em um eventual palanque com Flávio Bolsonaro no DF.
Michelle entregou a presidência do PL Mulher, ala feminina do partido, durante a reunião com Valdemar. O encontro não foi ameno. Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, a ex-primeira-dama chegou a ameaçar se desfiliar da legenda, mas foi convencida pelas duas aliadas mais tarde a não deixar o Partido Liberal.
Paralelamente, o PL já começou a sondar nomes alternativos para a disputa no lugar de Michelle Bolsonaro e terá cerca de um mês para viabilizar um nome competitivo. A agora ex-presidente do PL Mulher nunca assumiu publicamente que seria candidata nestas eleições.
Michelle tem dito ao seu entorno que a sua condição se mantém e que aguardava a decisão do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre estender ou não a prisão domiciliar do ex-presidente. Na última sexta-feira (3/7), o magistrado manteve o regime em que se encontrava Jair Bolsonaro.
A ex-primeira-dama também conta com o tempo até as convenções partidárias para bater o martelo.
Relembre o caso
- Na quarta-feira (24/6), pouco antes do jogo do Brasil contra a Escócia, Michelle Bolsonaro publicou dois vídeos nas redes sociais em que critica a composição do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e o tratamento que recebeu de Flávio Bolsonaro;
- A esposa de Jair Bolsonaro disse que pediu “coerência” do partido e que deveriam apoiar Eduardo Girão (Novo), e não o ex-pdtista, que é um opositor histórico de Bolsonaro e seus filhos;
- Disse que o enteado a “humilhou”, “maltratou” e “desreseitou” por defender o apoio à candidatura de Girão e que o enteado teria deixado claro que não queria seu apoio;
- Em resposta, Flávio Bolsonaro disse, primeiro, que “nada nem ninguém me aborrece”. Depois, publicou uma nota em quediz que nunca desrespeitou mulheres e pediu desculpas à madrasta
- Na mesma publicação, pediu um encontro com Michelle Bolsonaro e outras lideranças femininas no campo conservador, apelo que não foi atendido nem pela ex-primeira-dama, nem por aliadas como Damares e Celina.
Valdemar diz que Michelle errou por vídeo de Garotinho
Na mesma entrevista em que disse que a ex-primeira-dama não deverá ser candidata, Valdemar ainda fez críticas a Michelle Bolsonaro por repostar um vídeo do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos). O conteúdo trata das supostas festas promovidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Valdemar afirmou que Michelle errou ao divulgar um material e disse que o ex-governador do RJ “não tem credibilidade”. No vídeo, um episódios citados é conhecido como “a noite dos astronautas”. Na gravação, Garotinho diz ter tido acesso a vídeos de festas de Vorcaro com mulheres nuas e “homens que defendem a família”.
Michelle compartilhou um vídeo gravado por Garotinho em 29 de maio seguido pela legenda “A verdade de Jesus vai prevalecer”. O gesto foi interpretado por aliados como uma indireta ao enteado.
“Olha, ela fez muito mal de pôr o vídeo do Garotinho. O Garotinho não tem credibilidade”, disse Valdemar em entrevista à Rádio Gaúcha. “O posicionamento da presidente Michelle, e eu tenho ela no melhor conceito do mundo, foi desaprovado”, completou.
Depois do vídeo, Flávio rebateu as alegações de que poderia ter participado de festas de Vorcaro e disse que a relação com o banqueiro se limitou a pedir R$ 134 milhões para o financiamento do filme Dark Horse.O senador disse que a madrasta estaria “completamente desinformada”.