A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participaram de uma audiência em Washington sobre a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Essa medida é parte da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que examina se políticas brasileiras afetam empresas americanas. Discussões envolvem temas como comércio digital e propriedade intelectual, além de práticas relacionadas ao etanol e ao desmatamento.
A audiência, inserida na fase final do processo, permite que empresas e demais representantes da sociedade civil argumentem contra ou a favor da nova tarifa. O governo brasileiro não enviou um representante para a audiência, considerando-a um espaço destinado a quem seria diretamente afetado pelo possível aumento de tarifas. A Embaixada do Brasil em Washington observou a sessão, enquanto o Itamaraty apresentou uma manifestação escrita contestando as alegações do USTR.
Amcham pede negociação
Kristina Rosales, da Amcham Brasil, defendeu durante a audiência que um acordo deve ser buscado entre os dois governos antes da implementação de novas tarifas. O presidente da Amcham, Abrão Neto, destacou que, apesar da complexidade das negociações, ainda é possível intensificar os esforços para um entendimento.
A Amcham também alertou que a tarifa adicional prejudicaria não apenas as empresas brasileiras, mas também consumidores americanos, ao aumentar custos de produtos e insumos importados do Brasil. Além disso, a associação sugeriu que a reduzida presença brasileira no mercado dos EUA poderia levar a uma maior dependência de fornecedores asiáticos.
Como alternativa, foi proposta a discussão sobre acesso a mercados, comércio digital e análise de patentes, enfatizando a importância do diálogo bilateral ao invés de barreiras comerciais.
CNA rebate argumentos da investigação
Representando a CNA, Fernanda Carneiro levantou quatro pontos principais na audiência. A confederação afirmou que a competitividade do agronegócio brasileiro é baseada na alta produtividade e não no desmatamento. Destacou ainda que o mercado brasileiro está aberto ao etanol dos EUA e que acordos comerciais com outros países não prejudicam o comércio americano. Por fim, foi ressaltado que as alegações do USTR não demonstram danos ao comércio entre Brasil e Estados Unidos.
Fernanda também mencionou a relevância da relação comercial entre os dois países, que são parceiros importantes, e criticou os possíveis impactos de uma nova tarifa, que ultrapassariam a questão brasileira e afetariam diretamente o mercado americano.
A audiência continua, com novas participações programadas e o USTR deve avaliar as manifestações antes de tomar uma decisão sobre a proposta tarifária. Esta situação tem repercussões significativas para o comércio exterior e para a cooperação entre Brasil e Estados Unidos.
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