O São João na Bahia, uma das maiores celebrações populares do Nordeste, movimentou R$ 659 milhões em contratações de artistas em 2026, apresentando uma redução de R$ 42 milhões em relação ao recorde de 2025, que foi de R$ 701 milhões. Esses dados são do Painel de Transparência dos Festejos Juninos, que abrange 98,3% dos municípios baianos, e foi criado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) para garantir transparência nos gastos públicos.
A queda de 6% nos gastos está relacionada a um acordo entre o MPBA e as cidades baianas, que recomendou contenção nas despesas com atrações artísticas. O MPBA emitiu a Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, aconselhando a suspensão de pagamentos acima dos valores médios praticados em 2025, atualizados pelo Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA). Essa recomendação foi impulsionada por relatos de aumentos excessivos nas tarifas de artistas, atingindo até 100% em relação ao ano anterior.
Recomendação do MP-BA
O número de apresentações também registou uma significativa diminuição de 44%. Foram 8.673 shows contratados em 2025, enquanto em 2026 esse número caiu para 4.836. Os gastos dos municípios baianos com o São João nos últimos anos foram:
- 2022 – R$ 122 milhões
- 2023 – R$ 153 milhões
- 2024 – R$ 404 milhões
- 2025 – R$ 701 milhões
- 2026 – R$ 659 milhões
As 10 cidades que mais reduziram gastos com contratações em 2026
- Valença – R$ 6,4 milhões
- Amargosa – R$ 5,8 milhões
- Pojuca – R$ 4,3 milhões
- Conceição do Jacuípe – R$ 3,8 milhões
- Eunápolis – R$ 3,6 milhões
- Ipiaú – R$ 1,8 milhão
- Cruz das Almas – R$ 1,6 milhão
- Quijingue – R$ 1,4 milhão
- Jequié – R$ 962 mil
- Senhor do Bonfim – R$ 852 mil
Amargosa, conhecida por seu tradicional São João, enfrentou críticas pela baixa presença de público em 2026, apesar do aumento no orçamento da festa, que saltou de R$ 2 milhões em 2022 para R$ 6,1 milhões em 2026. Algumas cidades, como Pojuca, cancelaram atrações artísticas à beira dos festejos devido a limitações orçamentárias, resultando na suspensão de pelo menos seis atrações.

Corte nos cachês de artistas
Além de sugerir a limitação de gastos, o MPBA e os Tribunais de Contas também incentivaram a redução voluntária dos cachês de artistas. Este movimento envolveu cerca de 50 artistas e bandas, afetando 620 contratos em mais de 200 municípios. Nomes populares que assinaram o compromisso de corte de custos incluem:
- Adelmário Coelho
- Mastruz com Leite
- Limão com Mel
- Solange Almeida
- Devinho Novaes
- Tayrone
- Netto Brito
- Daniel Vieira
- Fulô de Mandacaru
- Chambinho do Acordeon
- Silvano Sales
- Paula Fernandes, entre outros.
Aquecimento na economia baiana
Apesar do aperto financeiro, a Bahia registrou um impacto positivo na economia, com aproximadamente R$ 2,3 bilhões movimentados pela circulação de mais de 1,8 milhão de visitantes durante os festejos. Estima-se que a receita gerada para o estado tenha alcançado R$ 2,5 bilhões.
Recorde de visitantes
Durante o período junino, a Rodoviária da Bahia teve a passagem de 380 mil pessoas, enquanto o aeroporto de Salvador contabilizou mais de 267 mil assentos operando. Nas principais rodovias, como a BA-093 e BA-099, aproximadamente 740 mil veículos transitaram.

Os setores de hotelaria, alimentação, transporte e vestuário se beneficiaram com as festividades. Hotéis em cidades tradicionais, como Santo Antônio de Jesus, Ibicuí, Lençois e Mucugê, atingiram ocupação total.
A cada ano, o São João fortalece ainda mais a economia local. “O apoio do governo estadual foi fundamental para o sucesso da festa”, afirmou Ricardo Nobre, secretário de Turismo de Esplanada.
E você, como vivenciou os festejos? Compartilhe sua experiência e opiniões sobre o impacto do São João em sua cidade!
