Dia do funk: resistência do gênero se destaca frente a projetos de lei e preserva sua identidade

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Música

Dia Nacional do Funk: A Celebração e os Desafios do Gênero no Brasil

No dia 12 de julho, o Brasil celebra pela segunda vez o Dia Nacional do Funk, instituído em 2024, em homenagem ao emblemático Baile da Pesada de 1970. Embora o funk tenha se consolidado como um dos gêneros mais populares do país, é constantemente alvo de iniciativas que visam restringir sua expressão cultural, refletindo um conflito entre aceitação e preconceito.

A trajetória do funk, que começou nas comunidades cariocas na década de 1970, é marcada por letras que abordam a vivência nas favelas e, muitas vezes, a sexualidade. O fenômeno ganhou força nos últimos 15 anos, mas desde 2019, propostas legislativas para limitar bailes e shows relacionados ao gênero cresceram. Em 2025, 63 projetos foram apresentados, quase metade dos que surgiram desde 2002, segundo a Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial.

Dia do Funk: gênero resiste a projetos de lei e mantém identidade - destaque galeria
Kevin o Chris, um dos principais nomes atuais do funk, defende o gênero como expressão cultural.

Um dos projetos de maior repercussão é o conhecido “Anti-Oruam”, de autoria da vereadora Amanda Vettorazzo, que proíbe a contratação de shows que promovam a apologia ao crime organizado e ao uso de drogas. Essa associação entre o funk e atividades ilegais tem sido uma constante no debate público, refletindo um preconceito histórico contra manifestações culturais das periferias.

  • O Dia Nacional do Funk foi criado em 12 de julho de 2024.
  • Aumentaram as propostas para restringir manifestações ligadas ao funk.
  • No primeiro semestre de 2025, foram apresentadas 63 propostas relacionadas ao tema.
  • O funk cresceu 36% no Spotify em 2025, segundo o relatório Loud & Clear.
  • A rejeição ao funk reflete padrões de perseguição a culturas de matriz africana.
  • Artistas defendem que o gênero abrange diversas vertentes, além das letras sobre sexo.

A crítica comum de que o funk se resume a letras de conotação sexual ignora sua diversidade. Artistas como Tati Quebra Barraco e Kevin o Chris afirmam que o funk é um espaço para liberdade e retratos da realidade. Apesar de letras mais atrevidas, muitos músicos estão se distanciando desse estereótipo. Em 2026, apenas 13% das músicas do Top 50 do Spotify foram classificadas como conteúdo explícito.

Criticos muitas vezes não percebem que o funk, assim como outros gêneros, lida com questões de desejo em suas letras. A cineasta Ana Rieper, que dirigiu o documentário *Massa Funkeira*, destaca que o funk representa resistência e uma abordagem sem filtros sobre a sexualidade. Para ela, o crescimento da crítica ao funk reflete a força que o gênero adquiriu na sociedade.

Thiagson, doutor em musicologia, argumenta que a rejeição ao funk é uma atualização do racismo estrutural que sempre perseguiu a cultura afro-brasileira. Ele acredita que, ao longo do tempo, o funk será reconhecido como parte importante do patrimônio cultural, assim como o samba e a capoeira.

Ainda que o funk enfrente uma batalha contra preconceitos e legislações restritivas, ele continua sua trajetória de crescimento, reafirmando seu lugar na cultura brasileira. O gênero é um reflexo da comunidade e, como enfatiza Kevin o Chris, “a comunidade nunca vai acabar, então o funk nunca vai morrer.” O que você acha dessa celebração? Compartilhe suas opiniões nos comentários!

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