Duplicata escritural, solução promissora para liberar R$ 11 trilhões, ainda é pouco explorada por empresas

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A duplicata escritural, crucial para o mercado de antecipação de recebíveis, ainda é uma questão secundária para muitas empresas. Apesar do potencial de movimentar R$ 10 trilhões anualmente, muitos players do setor estão apenas começando a se adaptar. Com a transição do sistema tributário em foco, o conhecimento sobre o novo modelo ainda é escasso, contribuindo para um clima de incerteza.

Uma pesquisa da fintech Monkey revelou que 50% dos fornecedores nunca ouviram falar de duplicata escritural, e apenas 15,4% a compreendem bem. A maioria dos respondentes não sabe os prazos regulatórios e mais de 70% não conseguem visualizar as mudanças práticas que a digitalização traria. A CEO da Monkey, Roberta Ferraz, destaca que as grandes empresas adaptam-se com mais rapidez, enquanto pequenas e médias empresas enfrentam dificuldades, muitas vezes desconhecendo o conceito por completo.

Adoção em fases

O cronograma de implementação em fases, estabelecido pelo Banco Central, pode ter aliviado o senso de urgência. Recentemente, a autoridade monetária lançou o novo ecossistema, mas as registradoras ainda aguardam um aval para iniciar a operação assistida. A expectativa é que essa permissão ocorra neste mês, permitindo que um grupo seleto de clientes teste o sistema. A implementação obrigatória começará em meados do próximo ano, tendo como prioridade as grandes empresas, e será ampliada gradualmente para incluir as menores até 2028.

O cronograma da duplicata escritural

Prazo | Evento
Julho/2026 | Começa a fase da produção assistida
Dezembro/2026 | Termina a fase da produção assistida
Junho/2027 | Início da obrigatoriedade para grandes empresas
Dezembro/2027 | Início da obrigatoriedade para empresas médias
Junho/2028 | Início da obrigatoriedade para pequenas empresas

A adesão inicial será voluntária. Apenas algumas corporações estão preparadas, realizando operações simples. A superintendente de Duplicata Escritural da B3, Roberta Fortunato, sublinha que a maioria das empresas não está pronta para ingressar no novo modelo neste momento.

Lições de recebíveis

A escolha por uma implementação gradual visa evitar os erros da regulamentação dos recebíveis de cartões de crédito, que enfrentaram problemas diversos quando lançados de uma só vez. Com um mercado de duplicatas mais amplo e diversificado, a adaptação será desafiadora, com a participação de empresas de diferentes portes e operações. Izaias Miguel, CEO da V360, destaca que há preocupações com a prontidão dos sistemas, já que 70% dos títulos para antecipação atendem aos critérios necessários, mas 10% apresentam erros cadastrais.

Em média, as empresas demoram 22 dias para validar uma nota fiscal. Sob o regime escritural, o prazo para aceitação da duplicata será de apenas 10 dias. Miguel alerta que essa velocidade será um grande teste, pois muitos compradores levarão tempo para validar as notas fiscais, o que pode criar um gargalo significativo no processo de aceitação.

E você, o que acha sobre a trajetória da duplicata escritural no mercado? Deixe suas impressões e comentários!

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