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Conheça Duck, cão estressado que vive nas ruas de Ondina e odeia voz fina

Atan Uber e o quase amigo Duck, em Ondina: sucesso nas redes sociais (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Clássico da literatura mundial, ‘Caninos Brancos’, de Jack London, tem como uma das ideias centrais a constatação de que o mundo violento dos animais é algo bem parecido com o ‘mundo cão’ dos humanos. O livro é uma espécie de continuação de ‘Chamado Selvagem’, lançado há exatos 120 anos pelo autor estadunidense, e que mostra a jornada de Buck, um cão manso que, sequestrado, passa a viver numa atmosfera violenta e hostil, transmutando-se num ser desconfiado e cheio de ódio. Se houvesse uma versão brasileira dessa história, o personagem principal seria um canino branco que vive nas ruas de Ondina – quase xará do dog fictício – e que não tolera humanos falando com voz fina. Se injuria e parte pra cima.

Duck é um vira-lata tirado a pitbull enraivado com cerca de 5 anos de idade. Ele ficou ‘órfão’ há mais de um ano depois que seu tutor, um morador em situação de rua, faleceu, fazendo com que nosso mascote tivesse que buscar numa matilha sua nova família. Desde fevereiro, quando ganhou uma conta no Instagram, já acumula 250 mil seguidores, e começa a obter fama internacional, tal qual Buck. Muitos estrangeiros comentam em seus posts e já teve até quem viajou a Salvador e buscou conhecê-lo pessoalmente. 

“Cara, já veio gente do Rio, de São Paulo, do Rio Grande do Sul, do México. Teve até um mexicano, que ele quase mordeu! De diversos lugares, muitos mesmo. Teve gente que estava hospedada perto do aeroporto que chamou uber só pra vir aqui, trazer sachê e conhecer ele”, revela o motorista de aplicativo e influenciador digital Atan Gama de Araújo, o Atan Uber (@atan_uber), figuraça responsável por descobrir uma das curiosas facetas do doguinho: se irritar com a agudeza de falas fofas. 

A conta @Duck_Ondina já foi notada até pela marca líder mundial em nutrição animal. “A Pedigree dos Estados Unidos enviou uma mensagem pra gente, informando que ia mandar mensagem pra equipe daqui do Brasil, pra poder formar uma possível parceria”, revela Atan, que ainda aguarda esse segundo contato. 

Enquanto seu lobby não vem, tira do próprio bolso para bancar rações e sachês, que também surgem através de doações – um seguidor já bancou R$ 800 em alimentos para a cachorrada. Além disso, tem conseguido acertar algumas permutas, como a que garantiu a castração gratuita de Duck, semana passada, e rendeu à Diagnovet do Rio Vermelho, em apenas 24 horas, 6 mil novos seguidores. 

Tropinha
A matilha que tem se beneficiado com o sucesso é um sexteto ainda em formação. “Duck, Estrela (namorada de Duck), Caramelo, Capenga, que é o três patas, Duquesa e Surfe, o novato que ainda está se adaptando”, apresenta o influencer, lembrando das vacinas, banhos, tosas e até tratamento médico viabilizado pelo perfil do catioro famoso. “Caramelo estava com um probleminha no olho e em 24 horas conseguimos cerca R$ 2.900 pro tratamento e depois mais R$ 500 pra ele ficar mais dez dias internado. Ou seja, foram os seguidores que ajudaram a pagar internamento, medicamento”, cita.

Atan, que com suas presepadas é quem dá o tchan da coisa, só fala mais sério ao explicar por que não deve seguir o conselho dos seguidores para adotar o líder da versão canina dos Capitães da Areia. 

“Se fosse de um dia adotar Duck, não seria apenas ele. Eu adotaria todos. Só que eu não moro em um lugar adequado pra isso. Eu já tenho três cachorros em casa. Moro em apartamento, não tenho como”, diz o influencer, ao lamentar não ter uma casa com quintal para tirar os peludos do relento.

Duquesa, Estrela e o namorado dela, Duck. Também fazem parte da tropinha Caramelo, Capenga (ou Três Pernas) e Surfe (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Sumiço
A impossibilidade, por ora, de tirar Duck das ruas, inclusive, já rendeu um susto geral: o cachorro chegou a sumir por vários dias, no mês passado, dando início a um ‘procura-se Duck desesperadamente’ que envolveu Atan, seguidores, os outros motoristas de aplicativo que ficam na praça ao lado do Ondina Apart Hotel e ajudam a tomar conta da matilha, e até um prefeito do interior.

“A gente pensou diversas coisas, ficamos desesperados. Aí o prefeito de Terra Nova [Éder de Nilda] viu um cachorro semelhante em um sítio lá perto de Candeias, nos avisou, veio aqui, buscou a gente de carro, e a gente foi atrás. Quando chegou lá, não era Duck, era um cachorro da fazenda mesmo, só que igualzinho, idêntico! Até a orelha era a mesma coisa”, recorda o influencer e quase tutor.

O “sacana”, como Atan costuma chamar Duck nos vídeos, estava na verdade atrás de sacanagem. “A gente rodou, rodou, e dias depois achamos ele debaixo do viaduto de Nazaré, atrás de uma cachorra no cio. Um morador de rua estava passando aqui pela Ondina, ele viu a cachorra e se mandou atrás”, conta ele, que ainda mostrou o “resgate” perto da Fonte Nova.

Atan com o casal Estrela e Duck (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Gatilhos
Mas será que, a essa altura, Duck se adaptaria à vida num apartamento? Segundo o médico veterinário comportamental e treinador de cães Rafael Ramos (@caodeouro), sim, embora a coisa não seja tão simples. 

“Será preciso muita dedicação desse novo tutor para entender que esse cão precisa de uma rotina de passeio e atividade para estimulação cognitiva, afinal de contas, esse cão tinha uma rotina intensa quando vivia na rua. Passar para uma vida de extremo confinamento pode ser entediante e acabar estimulando, de forma exagerada e contínua, a produção de cortisol, hormônio relacionado ao estresse. Investir em enriquecimento ambiental é uma boa opção para garantir o bem-estar do cão”, recomenda.

Sobre a reação violenta e hostil de Duck, diante de um simples “1, 2, 3 indiozinho” emitido por tenores e sopranos desafinados, Ramos supõe gatilhos da vida pregressa do animal. “Tudo dependerá do histórico das associações que foram feitas no passado. Um cão pode ter aversão a uma vassoura após alguém utilizar esta vassoura para machucá-lo. A probabilidade é que todas as vezes que ele veja uma vassoura, venha reagir com agressividade, pois há um histórico negativo na memória. Uma pessoa pode ter falado suave mas no momento de comportamentos negativos que provocavam o cão”, conclui o especialista.

*Entro de férias nos próximos dias e volto a latir aqui em Baianidades no mês que vem. 1, 2, 3 e até lá!

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