A jornada difícil dos homens no shopping: a influência de São Valentim e um publicitário

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O Dia dos Namorados

Ao chegar junho, a pressão sobre os homens aumenta. O que dar de presente para suas parceiras? Muitas mulheres podem pensar: “Esse cronista é insensível.” Mas não é bem isso. A verdade é que muitos homens sentem uma certa limitação, sem a habilidade feminina de escolher o presente ideal.

Curiosamente, o Dia dos Namorados no Brasil não nasceu de um impulso romântico, mas de uma estratégia comercial. Em 1949, o publicitário João Doria, a pedido de uma rede de lojas em dificuldades de vendas, tomou a iniciativa de criar uma data que pudesse alavancar os negócios. A escolha do dia 12 de junho, véspera de Santo Antônio, fez total sentido. Assim, o comércio ganhou uma nova oportunidade, enquanto os homens passaram a contar com mais um motivo para perder o sono na hora de escolher presentes.

E a resposta feminina à pergunta “O que será que ele vai me dar?” ecoa com preocupações às vezes cômicas. A campanha publicitária de Doria prosperou tanto que, até hoje, milhões de brasileiros seguem esse ritual anual sem perceber que, na verdade, estão participando de uma bem-sucedida estratégia de marketing.

Muitos homens, ao adentrarem shoppings, enfrentam a sensação de um branco total. Uns saem carregando sacolas que são sinônimos de parcelamento em doze vezes e do estresse de ter sido atropelado por um caminhão de vitrines. Enquanto isso, o comércio observa tudo com satisfação, como pescadores que veem peixes pulando para seu barco.

Mas essa aflição masculina não termina na compra. Após selecionar o presente, muitos homens passam horas tentando decifrar expressões faciais e tons de voz das parceiras, na dúvida se fizeram a escolha certa ou não. Assim, o ciclo continua: mulheres aguardando romantismo, homens tentando se manter à tona, e o comércio se deliciando com a situação. Por fim, a frase costuma aparecer: “Amor, não precisava…”

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