Das muitas frases imortais de Ulysses Guimarães, uma ressoa com especial clareza na atualidade: “Na política, até raiva é uma coisa ensaiada”. Olhando para a cena política atual, essa reflexão se torna ainda mais pertinente. Lembro-me de outra de suas sagazes observações, que poderia facilmente ser aplicada ao nosso Congresso: “É porque você ainda não viu o próximo”. E, de fato, a qualidade legislativa parece se deteriorar continuamente, enquanto o poder do Congresso se expande.
A relação tumultuada entre o Congresso e o Palácio do Planalto se acentuou com a fraqueza do presidente, que foi eleito quase por acaso. Agora, ao enfrentar um presidente mais resiliente, os choques se tornaram frequentes e intensos. No horizonte, paira a questão da escolha do próximo ministro do Supremo Tribunal Federal, uma vaga que se abriu com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
A Constituição é clara: a escolha do novo ministro cabe ao presidente da República, enquanto ao Senado compete a sabatina e a aprovação do nome indicado. A história nos mostra que, em 134 anos, apenas cinco indicações foram rejeitadas. Contudo, David Alcolumbre, o presidente do Senado, tem outras intenções. Ele ameaça rejeitar a indicação de Jorge Messias, Advogado-Geral da União, proposta por Lula, alegando que este nome não foi discutido adequadamente com ele.
As alegações de Alcolumbre sobre descortesia por parte de Lula são apenas a superfície de um descontentamento mais profundo. Por trás da sua indignação, está a insatisfação com o atraso na liberação de emendas orçamentárias e o desejo por uma fatia maior do poder dentro do governo. Sua raiva não é genuína; é uma performance cuidadosamente ensaiada, uma estratégia para negociar de uma posição de força.
E Lula, certamente, está ciente desse jogo. Sabe como administrar esses conflitos e posicionar-se no momento certo. Enquanto isso, a ressurgência das chamadas “flores do recesso” nos faz pensar sobre como assuntos que dominam o noticiário hoje podem desaparecer no esquecimento após a temporada de férias do Congresso, como se nunca tivessem existido.
Que desafios e reviravoltas ainda nos aguardam nesta dança política? E você, o que pensa sobre esse cenário? Compartilhe suas impressões nos comentários!