Anvisa autoriza novo método de tratamento para câncer de próstata em estágio avançado

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A Anvisa anunciou a aprovação de uma nova utilização da darolutamida, um medicamento essencial no combate ao câncer de próstata avançado. A nova diretriz permite que a darolutamida seja administrada apenas em conjunto com terapia de privação androgênica (ADT), sem a necessidade de quimioterapia para certos pacientes.

Anteriormente, sua utilização no Brasil estava restrita a pacientes com câncer de próstata hormônio sensível metastático (CPHSm) que precisavam de ADT juntamente com quimioterapia. Essa ampliação da indicação se baseia em dados do estudo clínico internacional de fase III, conhecido como ARANOTE.

A nova abordagem terapêutica surge como uma alternativa promissora para homens diagnosticados com a doença em estágio metastático, oferecendo melhores condições tanto para o controle da progressão do câncer quanto para a qualidade de vida dos pacientes.

Resultados promissores do estudo

Os resultados obtidos no estudo ARANOTE revelaram que o tratamento com darolutamida, em combinação com terapia hormonal, demonstrou uma redução de 46% no risco de progressão da doença ou morte em relação ao tratamento convencional. Os achados foram ainda mais favoráveis para pacientes com menor volume de metástases, onde a redução do risco atingiu 70%.

Além disso, o estudo apontou um atraso significativo no surgimento de dores relacionadas ao câncer e retardo na evolução para o estágio resistente à castração, quando a doença já não responde ao tratamento hormonal.

Importância do tratamento aprovado

O oncologista Denis Jardim, do Hospital Sírio-Libanês, destaca que a nova aprovação da Anvisa é um marco no tratamento do câncer de próstata no Brasil. “Com cerca de 48 mortes diárias atribuídas a essa doença, a darolutamida representa uma opção eficaz para controlar sua progressão, promovendo segurança e qualidade de vida”, afirma.

Perfil de segurança e eficácia

A pesquisa também evidenciou a boa tolerância do tratamento, pois a taxa de efeitos colaterais como fadiga foi similar à encontrada em pacientes tratados com placebo. Em outro estudo, conhecido como ARASEC, observou-se uma redução de 50% no risco de morte entre pacientes que usaram darolutamida em comparação com aqueles que se submeteram apenas à terapia hormonal.

Análise da qualidade de vida

Além da eficácia clínica, pesquisadores avaliaram o impacto da darolutamida na função cognitiva dos pacientes. No estudo ARACOG, os homens tratados com o medicamento apresentaram desempenho cognitivo estável, em contraste com aqueles que receberam terapias convencionais que mostraram declínios em suas funções mentais. Essa preservação da capacidade cognitiva é vital para manter a independência e a qualidade de vida durante o tratamento.

Câncer de próstata metastático

O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens e uma das principais causas de mortalidade por câncer nessa população. Frequentemente, a doença é identificada inicialmente ainda confinadoà próstata e tratada através de cirurgia ou radioterapia. Entretanto, uma parcela significativa dos casos é diagnosticada com metástases, o que dificulta o tratamento. A terapia de privação androgênica se destaca como a base dessa abordagem, mas alguns pacientes progridem para formas mais resistentes, onde as opções de tratamento são limitadas.

A recente aprovação da Anvisa para a darolutamida amplia as opções terapêuticas disponíveis, possibilitando um melhor controle da doença e potencializando a qualidade de vida dos pacientes.

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