Um investimento de R$ 1 no Ensino Médio Integral (EMI) pode trazer um retorno de até R$ 3,49 para a sociedade, conforme um estudo dos economistas Natália Marchi, Enlinson Mattos e Vladimir Ponczek, realizado com o apoio do Instituto Natura. A pesquisa revela que essa modalidade não só melhora o desempenho educacional, mas também aumenta a empregabilidade e a renda dos estudantes ao longo de suas vidas.
Os dados analisados foram coletados de egressos da rede pública de Pernambuco, estado que foi pioneiro na adoção do EMI. O levantamento simulou diferentes cenários de expansão dessa política. Os resultados indicam que a ampliação planejada do EMI pode levar à redução do custo por vaga, ao reaproveitar infraestruturas existentes e obter ganhos de escala.
O estudo aponta que no cenário mais otimista, a relação benefício-custo é de 3,49. No cenário padrão, ela é de 2,38, considerando apenas os custos diretos, e de 2,06 quando também são levados em conta os custos sociais. Mesmo em cenários mais conservadores, o EMI mostra retornos econômicos que superam os custos, mantendo-se vantajoso na maioria das análises.
Benefícios para estudantes e a economia
Os efeitos positivos do Ensino Médio Integral transcendem a mera melhoria na aprendizagem. O estudo revela que os alunos apresentam:
- melhor desempenho escolar;
- menor risco de evasão;
- maior probabilidade de acesso ao ensino superior.
Esses fatores ajudam a formar profissionais mais qualificados, com maior capacidade de gerar renda e produtividade para a economia brasileira. Os dados mostram que os egressos do EMI têm uma renda mensal média R$ 172,48 superior e uma chance de emprego que aumenta em três pontos percentuais em comparação aos alunos do Ensino Médio Regular.
Além disso, os ganhos indiretos também são significativos, com um aumento médio de 0,1219 desvio-padrão na proficiência, uma diminuição de 4,86 pontos percentuais na evasão escolar e um crescimento de 8,83 pontos percentuais na trajetória até o ensino superior. Juntos, esses elementos indicam um aumento potencial de 10,07% na renda ao longo da vida dos beneficiados.
Redução de custos com expansão
Os pesquisadores também examinaram o custo da implementação da política. O estudo estima que o custo adicional médio do Ensino Médio Integral é de R$ 14.112,87 por estudante durante os três anos de curso. No entanto, este valor pode ser reduzido com a expansão em larga escala, aproveitando a infraestrutura já existente.
Discurso sobre investimento educacional
Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil, destaca que os resultados reforçam a necessidade de o Ensino Médio Integral ser central nas políticas educacionais. “O Brasil já avançou na educação integral, mas ainda pode fazer mais. Cada nova evidência da sua relevância reforça a necessidade de um maior compromisso político para sua expansão. O EMI é uma política inegociável para o desenvolvimento do nosso país”, afirmou.
Os pesquisadores argumentam que a pesquisa contribui para o debate sobre a eficiência do investimento público em educação, apontando o EMI como uma solução viável para reduzir desigualdades sociais, aumentar a produtividade e impulsionar o crescimento econômico do Brasil.