COP30 expõe racha: países pobres cobram justiça e ricos impõem regras

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TENSÃO CLIMÁTICA

UE endurece tom na COP30 e pressiona por metas mais rígidas

Georges Humbert*

16/11/2025 – 6:00 h

COP30 chega ao momento decisivo entre ambição climática e desigualdade histórica

COP30 chega ao momento decisivo entre ambição climática e desigualdade histórica –

A 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que segue até o dia 21, tornou-se um campo de batalha crucial onde a ambição climática se confronta com as desigualdades históricas. Com delegações de dezenas de países expressando posições firmes sobre financiamento, adaptação e redução de emissões, o evento revela uma clara divisão entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento, especialmente no que diz respeito às responsabilidades históricas e ao acesso a recursos.

A União Europeia (UE) destaca-se com sua liderança, defendendo a integridade do Acordo de Paris e propondo estruturas que garantam que a ambição climática não retroceda. Durante as consultas sobre as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), a UE reiterou que a transição dos combustíveis fósseis depende de uma forte cooperação internacional, com mecanismos de mercado de carbono eficientes no centro dessa transformação, sublinhando a importância de rastreamento transparente dos fluxos financeiros.

No dia 11, a UE reafirmou seu compromisso com o Novo Objetivo Coletivo Quantificado de Financiamento Climático (NCQG), enfatizando que os investimentos devem estar alinhados com as metas climáticas estipuladas no Acordo de Paris. No entanto, opôs-se à criação de novas instituições para a transição justa, preferindo utilizar arranjos já existentes para facilitar a adaptação, embora com ressalvas em relação à criação de novas obrigações legais.

Os Estados Unidos, apesar de uma presença política discreta nesta fase da COP30, foram constantemente mencionados como fundamentais para o aumento do financiamento climático, especialmente por países vulneráveis que cobram um compromisso americano robusto, incluindo a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2030. A discussão sobre as lacunas de ambição nas NDCs, especialmente no setor energético, também se mostra crucial.

Enquanto isso, o Reino Unido se alinha com a posição europeia, condenando o uso de plataformas digitais sem ação prática efetiva. Apela por um aumento na previsibilidade dos recursos para adaptação, destacando a importância de fornecer segurança financeira aos países vulneráveis para ações a médio e longo prazo.

Nas nações em desenvolvimento, a busca por justiça climática é predominante. Países africanos, asiáticos e latino-americanos clamam por uma transição energética que leve em conta as desigualdades históricas, pressionando para que as nações desenvolvidas assumam responsabilidades mais robustas. O Grupo Africano pediu clareza sobre o financiamento climático, insistindo que este deve ser “novo, adicional e previsível”, sem substituições por reembolsos ou empréstimos.

O G77 + China reitera que a ambição global deve respeitar o princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, e defende que a adaptação receba a mesma atenção que a mitigação, especialmente com o crescimento de eventos climáticos extremos nos países pobres.

Os pequenos Estados insulares (AOSIS) têm se destacado, exigindo que a limitação da temperatura a 1,5°C se transforme em ação concreta e não apenas retórica. Para eles, a elevação do nível do mar e a insegurança alimentar já são realidades devastadoras, exigindo ações urgentes sobre o mecanismo de Perdas e Danos, criado na COP27.

Na América Latina e Caribe, a resposta foi de unidade regional. A Colômbia propôs uma coalizão para a proteção de florestas tropicais, enquanto o Peru reforçou a necessidade de financiamento para comunidades indígenas, essenciais para a preservação ambiental. O México sugeriu colaboração entre governos locais, e o Chile impulsionou a discussão sobre mercados de carbono, enfatizando os esforços de descarbonização do setor energético sul-americano.

A COP30 ilustra a complexidade do cenário global: países desenvolvidos demandam regras rigorosas, enquanto os em desenvolvimento clamam por justiça e recursos. Entre essas dinâmicas, Belém emerge como o epicentro de decisões críticas que moldarão o futuro do nosso planeta. A mensagem é clara: o tempo para negociações está se esgotando; agora é o momento de agir com responsabilidade e coragem política.

Nos diga, como você acredita que os países podem encontrar um equilíbrio diante desses desafios climáticos? Compartilhe suas ideias nos comentários!

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