Da varanda ao negócio próprio: mulheres transformam talento em renda

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CELEBRAÇÃO

Na próxima quarta-feira, dia 19, é comemorado o Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino

Joana Lopes

Carolina começou a Kerol Flores com vasos em uma mesa  em frente de casa

Carolina começou a Kerol Flores com vasos em uma mesa em frente de casa –

Carolina Guimarães sempre teve um sonho: transformar seu amor pelas flores em um negócio. Em 2012, quando ingressou em zootecnia na Ufba, a universidade enfrentou uma greve prolongada. Decidida a não deixar suas ideias morrerem, Carolina recorreu ao conhecimento adquirido em seu curso técnico em agropecuária. Com a falta de recursos financeiros, sua ideia amadureceu até que em uma feira de Itapuã, ela comprou 15 mudas de flores, plantou-as em vasos decorados e colocou à venda em uma mesa em frente de casa. Para sua surpresa, em apenas uma semana, vendeu tudo. Assim nasceu a Kerol Flores, formalizada em 2017, e agora comemorando um mês no novo endereço comercial em Periperi.

A força de empreendedoras como Carolina é refletida em dados impressionantes: dos cerca de 670 mil pequenos negócios na Bahia, 34% são liderados por mulheres, segundo o Sebrae. O Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino, comemorado na próxima quarta-feira (19), é um lembrete do impacto transformador que estas mulheres têm no ecossistema de negócios. Como destaca Rosângela Gonçalves, coordenadora do Sebrae Delas, esse dia não é apenas uma celebração, mas um reconhecimento do papel essencial que as mulheres desempenham na economia, gerando empregos e autonomia financeira.

Outro dado digno de nota é a pesquisa “Empreendedoras e Seus Negócios 2025”, que revela que a maioria das empreendedoras possui entre 30 e 59 anos, com ênfase na faixa dos 40 aos 49. Além disso, 58% são chefes de família, sustentando uma média de R$ 2.400 e 69% conseguem sustentar outras pessoas. Os setores mais populares delas são alimentação e gastronomia, além de beleza e bem-estar, refletindo a diversidade e a adaptabilidade das mulheres no mundo dos negócios.

Laís Santos, fundadora da Monalay Moda Étnica, é um exemplo vivo dessas histórias de superação. Após oito anos como costureira industrial, a ideia de ter seu próprio negócio parecia um sonho distante. Mas, ao emprestar a varanda de sua mãe, Laís montou seu ateliê e começou a criar roupas de candomblé. Hoje, prestes a completar uma década de sua marca, ela já dá cursos e planeja expandir para uma nova filial em Maricá (RJ). “Quero crescer, mas sempre de forma organizada”, afirma Laís.

Entretanto, o caminho do empreendedorismo não é livre de desafios. As mulheres frequentemente enfrentam obstáculos estruturais e a chamada “economia do cuidado”, que recai desproporcionalmente sobre elas, dificultando a conciliação entre negócios e vida pessoal. “As obrigações familiares e domésticas geram uma sobrecarga que impede muitas mulheres de dedicarem tempo suficiente para o crescimento de seus negócios”, ressalta Gonçalves.

O acesso a crédito é outra barreira significativa: muitas empreendedoras hesitam em buscar financiamento devido ao medo de endividamento, juros altos e desinformação sobre os processos. Dados da Serasa Experian mostram que 65,5% das mulheres nunca tentaram acessar crédito bancário. O Instituto Rede Mulher Empreendedora lançou o Fundo Firme, que disponibiliza R$ 2,5 milhões em crédito orientado, focando na capacitação e no fortalecimento do empreendedorismo feminino no Brasil.

Além disso, as mulheres frequentemente carecem de qualificação em áreas essenciais como gestão e finanças. Investir em educação contínua e cultivar redes de apoio entre empreendedoras é fundamental para o sucesso. “Conectar-se com outras mulheres que enfrentaram desafios semelhantes é uma forma poderosa de aprendizado e crescimento”, conclui Rosângela Gonçalves.

As histórias de Carolina e Laís são apenas o ponto de partida de uma revolução crescente no empreendedorismo feminino. Cada dia, mais mulheres se lançam nessa jornada, desafiando as barreiras e saindo em busca de oportunidades. E você, o que acha do papel das mulheres no empreendedorismo hoje? Compartilhe suas ideias nos comentários!

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