A disputa por um terreno de 67 mil metros quadrados em Camaçari transformou-se em um verdadeiro embate familiar com graves implicações ambientais. O caso, que envolve o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), o Ministério Público, a Prefeitura e a Polícia Civil, teve início com uma denúncia de Francisco Athayde, um dos três herdeiros. As acusações incluem crime ambiental, invasão e apropriação indevida de terras.
Francisco, que desenvolve um projeto de educação ecológica no Parque Ecológico Pequeno Mundo Verde, acusa seu irmão Adriano de invasão para construção de um condomínio, o que comprometeria um acordo familiar estabelecido em 2001 para isenção de pedágio. Na época, cerca de 8 mil metros quadrados foram desapropriados para implementar uma via de acesso, hoje desativada.
Bastidores da Disputa Familiar
Adriano defende a legalidade de seu empreendimento, rebatendo as acusações de Francisco e alegando que o terreno do irmão não deveria ser considerado um parque. Em meio a este conflito, Carla, a terceira irmã, observa a disputa da Itália, preocupada com a saúde da mãe, Eleuza, que também está envolvida no litígio.
Francisco também alega que uma área de preservação permanente foi destruída, enquanto Adriano negou qualquer irregularidade, indicando que as ações são documentadas e que o terreno não apresenta restrições ambientais, segundo inspeções municipais. Este celeuma evidencia os desdobramentos da luta de poder familiar em jogo na propriedade.
A Questão Ambiental
Francisco argumenta que as ações de Adriano configuram não apenas uma invasão à sua propriedade, mas também criminalidade ambiental, citando a destruição de lagoas e a supressão de areia das dunas. Para complicar a situação, um relatório do Inema constatou infrações nas áreas de proteção ambiental, resultando em multas e notificações à empresa de Adriano.
Ao ser questionado pela reportagem, Adriano reafirmou que as infrações não foram cometidas e apresentou documentos que, segundo ele, garantem a legalidade de suas ações. A controvérsia se intensifica, pois ambos os irmãos recorrem a provas que reforçam suas versões contraditórias sobre a destinação e utilização do terreno herdado.
O caso está em análise pelo Ministério Público e pela polícia, que investiga possíveis irregularidades e crimes ambientais. A situação permanece tensa e repleta de incertezas, com a divisão da herança em jogo e a saúde da mãe servindo como pano de fundo para os desentendimentos.

Escavadeira e britas flagradas na área disputada pelos dois irmãos | Foto: Francisco Athayde | Acervo pessoal
As implicações desse caso não são apenas pessoais, mas tocam em questões ambientais críticas que envolvem a preservação do espaço e a contínua luta entre interesses individuais e coletivos. O desdobramento desta história continua a ser acompanhado, e sua resolução pode servir como um precedente significativo para outros conflitos familiares que envolvem patrimônios e recursos naturais.
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