O Índice de Progresso Social (IPS) 2026, revelado em 20 de maio por instituições como Imazon e Fundación Avina, trouxe à tona uma realidade preocupante: Salvador ocupa a quarta pior posição em qualidade de vida entre as capitais brasileiras, superando apenas Porto Velho, Macapá e Maceió. Essa avaliação é um retrato de um cenário que muito difere do esplendor cultural vivido nas décadas de 60 e 70, quando a cidade era um polo de artistas e intelectuais, reverenciada por grandes nomes como Vinicius de Moraes.
O IPS avalia a qualidade de vida a partir de três dimensões: Necessidades Básicas, Bem-estar e Oportunidades. E Salvador apresenta resultados alarmantes em quase todas. Um dos grandes problemas identificados é a gestão de resíduos. Apesar de existir um plano de gestão de resíduos sólidos, na prática, a coleta é realizada de maneira ineficiente, misturando recicláveis e orgânicos, o que revela a ineficiência do serviço público e a dependência de catadores.
Além disso, o comportamento da equipe de limpeza urbana é alarmante, com garis se segurando em caminhões sem segurança. Essa falta de cuidado reflete diretamente nas notas atribuídas a “Segurança Pessoal” e “Qualidade do Meio Ambiente” no IPS. Por outro lado, a obra do BRT Lapa-Iguatemi é um exemplo de planejamento questionável, com custos altos e a derrubada de árvores centenárias, resultando em um aumento nas temperaturas locais e na deterioração da paisagem urbana.
O índice também destaca a dimensão das Necessidades Humanas Básicas, onde faltam cuidados médicos e nutrição adequados. Unidades de saúde estão saturadas e fechadas nos finais de semana, e a falta de médicos é uma realidade. Em segurança, a Guarda Civil Municipal opera com um efetivo muito abaixo do ideal, sem reposições significativas desde 2014, o que aumenta a sensação de insegurança na população.
O IPS também analisa Oportunidades, que englobam a transparência e o uso eficiente do orçamento. Em Salvador, os contratos muitas vezes envolvem as mesmas empreiteiras, e o que deveria ser um serviço de qualidade se torna uma repetição de falhas. A falta de planejamento a longo prazo e a priorização de serviços emergenciais em vez de soluções duradouras comprometem o desenvolvimento da cidade.
O relatório do IPS serve como um alerta para que a cidade reverta essa trajetória, destacando a necessidade premente de reformas em áreas fundamentais como água, saneamento e segurança. Salvador, que já foi fonte de inspiração, precisa de um processo de revitalização que leve em conta não apenas a infraestrutura, mas também a dignidade dos cidadãos.
A deterioração de Salvador não é obra do acaso, mas uma consequência de decisões políticas que negligenciam o planejamento urbano e o bem-estar da população. Para resgatar a beleza e a história da cidade, é preciso uma gestão mais comprometida com o interesse público e menos voltada para o lucro.
E você, o que pensa sobre essa realidade? Comente e compartilhe sua visão sobre o futuro de Salvador!