Recentes dados apontam um aumento na conscientização dos brasileiros sobre a violência contra a mulher, que passou a ser a principal preocupação em relação à criminalidade. Segundo uma pesquisa Datafolha, 60% da população expressa preocupação com esse tema, com quase 90% acreditando que os casos têm aumentado. Este cenário reflete uma transformação significativa, embora alarmante.
De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número já registrado, o que equivale a mais de quatro assassinatos por dia. A maioria das vítimas é composta por mulheres negras, evidenciando uma interseccionalidade preocupante entre raça e gênero.
A violência contra a mulher vai além dos feminicídios; é um medo cotidiano que atinge milhões de brasileiras em diversos ambientes, incluindo suas casas, locais de trabalho e no transporte público. Uma pesquisa dos Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva revelou que 97% das entrevistadas já enfrentaram assédio no transporte público e 71% conhecem outras mulheres que também passaram pelo mesmo. É evidente a necessidade de mecanismos de proteção e resposta rápida.
Para enfrentar essa realidade, iniciativas como a Lei nº 9.835/2025, conhecida como Lei do Vagão para Mulheres, emergem como soluções. Essa proposta, originada após uma demanda popular em Salvador, busca criar espaços exclusivos para mulheres no metrô nos horários de maior movimento, quando os relatos de assédio são mais frequentes. No entanto, sua implementação ainda está suspensa devido a uma decisão judicial proveniente de uma associação de empresários metroviários.
Adicionalmente, a Política Municipal de Enfrentamento ao Feminicídio, aprovada em 2023, ainda aguarda implementação. Visando combater o assédio no transporte público, também foi apresentado o projeto Abrigo Amigo, que prevê a criação de pontos de ônibus seguros com monitoramento remoto, garantindo maior proteção às mulheres que aguardam transporte.
Em Salvador, a situação é ainda mais crítica, com as mulheres negras, que representam a maior parte da população, sendo as principais vítimas da violência de gênero. A intersecção entre gênero, raça e classe social expõe as vulnerabilidades de muitas. O fato de a violência contra a mulher ter se tornado a principal preocupação dos brasileiros serve como um alerta. A conscientização é um passo positivo, mas urge a necessidade de desenvolver políticas públicas que não apenas estejam no papel, mas que se concretizem em ações efetivas de proteção.
A vereadora de Salvador pelo PT e presidente da Comissão de Reparação