Especialista reprova turismo em favelas e destaca a necessidade de combater a pobreza

Compartilhe

Em um momento decisivo para o reconhecimento do trabalho de empreendedores que promovem a cultura brasileira, o Prêmio Embratur Visit Brasil 2023 homenageou três mulheres impactantes, entre elas a baiana Nilzete Araújo. Reconhecida por sua dedicação à valorização da cultura afro-brasileira, Nilzete transformou sua trajetória em um exemplo de resistência e inovação no turismo. Ex-cristã, imergiu no Candomblé e se tornou uma referência na recepção de turistas, trazendo à tona a riqueza da cultura negra.

A jornada de Nilzete começou em 2005, quando decidiu se formar como agente de turismo no Senac. Sua ideia, a Afrotours, surgiu da paixão pela cultura negra e do desejo de apresentar uma narrativa autêntica sobre o Brasil. “Quando comecei a apresentar turismos direcionados aos afro-americanos, percebi a lacuna que existia no setor. Eles queriam ser guiados por afro-baianos que conhecessem a história real”, declarou, reforçando a necessidade de inclusão e reconhecimento neste mercado.

A Challenge to the Status Quo

Nilzete não apenas organiza viagens, mas também questiona o status quo no turismo. Ela destaca a falta de voos diretos para a África e, em sua ousadia, ajudou a abrir novas rotas aéreas. “Hoje, oferecemos pacotes para destinos como Gana e Benin, conectando a Bahia à sua ancestralidade”, enfatizou. Sua ação enérgica já transformou a percepção do turismo africano entre os brasileiros.

Porém, a segurança no turismo é uma preocupação constante. Nilzete critica as excursões em áreas de vulnerabilidade, afirmando: “A pobreza não deve ser romantizada, mas combatida.” Ao invés de expor os turistas a situações arriscadas, ela propõe um turismo que valorize a cultura, proporcionando experiências enriquecedoras sem explorar a miséria.

A Transformação Através do Conhecimento

A realidade é que muitos turistas buscam compreender não apenas os locais que visitam, mas também as histórias que os definem. Nilzete relata um incidente em que, ao guiar um grupo de médicos, um deles ficou impressionado ao ouvir uma mulher negra narrando a história do Brasil de uma forma que jamais imaginou. “Este é o meu desafio: mostrar que podemos ser iguais e que a nossa história é rica”, disse, ressaltando a importância de empoderar narrativas que, muitas vezes, foram silenciadas.

Nilzete faz um apelo ao governo para uma reparação efetiva aos descendentes de escravizados, enfatizando que a transformação vai além de eventos e festas: “Queremos uma mudança real que nos tire da marginalização, que nos permita construir futuros melhores.” Ela sonha com um amanhã em que a cultura negra seja celebrada e ensinada, tanto no Brasil quanto no exterior, dando voz a histórias que, por muito tempo, foram ignoradas.

E você, o que pensa sobre a valorização da cultura afro-brasileira no turismo? Compartilhe sua opinião nos comentários!

Você sabia que o Itamaraju Notícias está no Facebook, Instagram, Telegram, TikTok, Twitter e no Whatsapp? Siga-nos por lá.

Veja também

Mais para você