GESTAÇÃO TRANSMASCULINA
Cuidado a gestantes transmasculinos: invisibilidade institucional

Desigualdade no acesso a cuidados e direitos são problemas enfrentados por homens trans –
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Embora a gestação de homens trans tenha recebido mais atenção ultimamente, a discussão ainda carece de profundidade. Essa visão superficial perpetua a ideia de que essas experiências são curiosidades, escondendo desigualdades significativas no acesso à saúde e à reivindicação dos direitos reprodutivos. Estudos da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) indicam que a assistência a gestantes transmasculinos enfrenta um cenário de invisibilidade institucional e falta de preparo nos serviços de saúde.
Uma análise publicada na revista Physis revelou a ausência de diretrizes adequadas para esse público, levando a um atendimento muitas vezes excludente e inadequado. Além disso, as políticas de planejamento familiar saturadas de pressupostos cisheteronormativos omitem homens trans, reforçando a falsa ideia de infertilidade e desinteresse por parte deles em formar famílias.
Além da falta de preparo, muitos profissionais de saúde não reconhecem a experiência de gestantes trans. Quando essas pessoas buscam atendimento, muitas vezes já estão grávidas, aumentando os riscos de complicações para mães e bebês.
Barreiras ao Acesso ao Cuidado de Saúde
Dados do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT) mencionam o uso recorrente de pronomes femininos e situações desconfortáveis como constrangimentos e perguntas invasivas. Um exemplo claro dessa fragilidade aparece na condução da hormonioterapia, que pode levar a gatilhos emocionais durante a gestação, complicando ainda mais a saúde mental dos gestantes.
Essas violências destacam que o simples acesso ao sistema de saúde não garante um atendimento respeitoso. No entanto, avanços legislativos, como as mudanças na Declaração de Nascido Vivo (DNV), começam a mudar esse cenário. A nova terminologia adotada na DNV oferece uma identidade mais inclusiva, evitando que homens trans sejam rotulados apenas como “mães”.
Além disso, a Portaria nº 1.693/2024 promoveu a inclusão, permitindo que todos os gêneros acessem serviços de ginecologia e obstetrícia. O Programa Transgesta, focado em gestantes transmasculinos, foi uma resposta inovadora que trouxe uma caderneta de pré-natal específica, objetivando a personalização do atendimento e o fortalecimento de vínculos entre gestantes e profissionais de saúde.
A aplicação prática da Caderneta do Gestante
Uma pesquisa realizada por universidades do Rio Grande do Norte confirmou que a ‘Caderneta do Gestante’ transforma o atendimento, promovendo um acolhimento respeitoso e uma abordagem mais inclusiva nas consultas. Essa inovação demonstra que as estruturas existentes podem ser adaptadas para atender à diversidade de gênero, evitando a necessidade de sistemas paralelos.
Essas mudanças são um passo essencial para garantir que todos os gestantes, independentemente de sua identidade de gênero, possam receber o cuidado que merecem. É fundamental que a sociedade e os profissionais de saúde se unam para uma mudança real e significativa neste campo. Compartilhe sua opinião conosco e participe dessa discussão vital!