Indústria de motos cresce em meio à ameaça de seca

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A indústria de motocicletas no Brasil atinge seu melhor desempenho em 15 anos no primeiro semestre de 2025, com mais de 1 milhão de unidades produzidas. Entretanto, enfrenta um novo desafio: a ameaça de uma seca severa na Amazônia. Este cenário exige medidas preventivas para garantir a produção e o transporte de componentes, especialmente em vista do fenômeno climático El Niño.

Entre janeiro e junho, as montadoras do Polo Industrial de Manaus (PIM) produziram 1.063.397 motocicletas, marcando um crescimento de 6,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, o setor já inicia diálogos com os governos estadual e federal para implementar ações que garantam a preservação dos rios e o escoamento da produção.

Marcos Bento, presidente da Abraciclo, enfatiza a importância das lições aprendidas com a seca que afetou o estado há dois anos. As ações de curto prazo, como a dragagem de rios, são cruciais, mas não eliminam a dependência do transporte fluvial. Bento defende a revitalização da BR-319, ligando Manaus a Porto Velho, como uma solução que integraria os modais de transporte e tornaria a logística industrial mais robusta.

Impactos do El Niño

O fenômeno El Niño, confirmado em junho, pode intensificar a estiagem na região. Modelos climáticos apontam mais de 90% de chances de sua persistência até pelo menos o início de 2027, com previsões de chuvas abaixo da média entre julho e setembro, particularmente no centro-norte do Brasil. Apesar disso, os níveis dos rios estão normais por enquanto, com o rio Negro, em Manaus, próximo ao que é esperado para esta época.

Contudo, a Abraciclo ainda é cautelosa, tendo em mente a grave estiagem de 2024, a mais severa já registrada, que levou a maioria dos municípios do Amazonas a situação de emergência, com o rio Negro atingindo um nível histórico baixo.

Crescimento da demanda e novos recordes

A demanda por motocicletas segue em alta, com emplacamentos alcançando 1.174.344 unidades no primeiro semestre, um aumento de 14,1%. O Nordeste lidera regionalmente, com 384,4 mil motocicletas emplacadas, superando as 383,6 mil do Sudeste, ambas com cerca de 32,7% do mercado nacional.

As motocicletas de até 160 cm³ ainda dominam a produção, com 831.213 unidades, representando 78,2% do total. Embora as motos de alta cilindrada componham apenas 3% da produção, tiveram o maior crescimento proporcional, com um aumento de 37,2% no semestre.

Em junho, a produção caiu para 130.875 unidades, uma redução de 29,9% em relação a maio. Esse resultado é atribuído às férias coletivas e manutenções programadas nas fábricas. No entanto, o emplacamento no varejo cresceu 8,3%, e as exportações também mostraram potencial, somando 24.084 unidades no primeiro semestre, uma alta de 29,4%.

O setor espera produzir 2,07 milhões de motocicletas em 2026, um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior. Para atingir essa meta, será fundamental alinhar a capacidade produtiva com a demanda crescente e uma logística eficiente capaz de enfrentar as mudanças climáticas.

Gostou de saber mais sobre o desempenho da indústria de motocicletas no Brasil? Compartilhe sua opinião nos comentários e vamos discutir juntos!

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