Angela Fraga, filha da poética Myriam Fraga, fez uma descoberta emocionante ao encontrar um caderno de anotações em grego, pertencente à sua mãe, que faleceu há dez anos. Este encontrou serve como um tributo à sua trajetória, destacando seu talento e dedicação à literatura, especialmente em um momento em que será homenageada na décima edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), de 5 a 9 de agosto.
Desde sua infância, Myriam, filha do médico Orlando de Castro Lima, foi imersa em um ambiente estimulante, cercada por poetas e escritores da época. Incentivada por seu pai, ela teve acesso a uma biblioteca rica em cultura, um privilégio que a fez sonhar em ter seu nome impresso na capa de um livro. Essa paixão pela literatura se manifestou cedo, quando a jovem se aventurava em batalhas de leitura com seu pai.
Aos 19 anos, Myriam casou-se com Carlos Fraga e, embora o casamento e a maternidade tenham adiado seus sonhos acadêmicos, ela nunca deixou a literatura para trás. Em 1974, tornou-se sócia da Editora Macunaíma, que havia sido criada por figuras icônicas como Glauber Rocha. Seu primeiro livro, “Marinhas”, foi publicado por essa mesma editora, e rapidamente chamou a atenção de personalidades como Jorge Amado.
A partir de 1980, Myriam coordenou a Coleção dos Novos da Fundação Cultural do Estado da Bahia, um projeto dedicado a novos escritores. Este projeto revelou talentos como Aleilton Fonseca e Carlos Ribeiro, que atribui a Myriam um papel decisivo em sua carreira literária. Ele descreve a poeta como uma figura generosa e carismática, cuja influência é lembrada com carinho por todos que tiveram a sorte de conhecê-la.
Além da sua produção literária, Myriam teve um papel fundamental na promoção da obra de Jorge Amado. Sua ideia de criar uma fundação para abrigar o acervo do famoso autor foi um dos legados mais importantes que deixou. A fundação, criada para preservar o legado de Jorge, tornou-se uma referência na Bahia, organizando eventos e promovendo debates sobre cultura.
A habilidade de Myriam como gestora é destacada por colegas e amigos, refletindo uma abordagem dinâmica e produtiva. Seu trabalho na coluna “Linha d’água” do jornal A TARDE também deixou uma marca significativa na literatura local, sendo uma voz ativa em debates sociais e culturais.
Com um estilo poético único, Myriam Fraga é reconhecida como uma das vozes femininas mais proeminentes da literatura brasileira. Apesar de sua partida em 2016, seu legado continua a inspirar novas gerações de escritores. Angela, agora à frente da fundação, decidiu homenagear a mãe através da Flipelô, um sonho que Myriam não pôde ver realizado, mas que agora se concretiza, resplandecendo a alegria e a magia das letras.
A importância de Myriam para a literatura brasileira é inegável e suas obras continuam a ressoar com força. Como ressalta Edilene Matos, ocupante da cadeira 13 da Academia de Letras da Bahia, a poesia de Myriam é uma manifestação lírica que funde elementos visuais e auditivos, perpetuando seu brilho e relevância na cena literária.
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