“Carnaval transforma-se de expressão cultural em mercadoria, afirma Roberto Mendes”

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ENTREVISTAS

Artista fala sobre o Carnaval e identidade

O sambista Roberto Mendes

O sambista Roberto Mendes –

Conversar com Roberto Mendes é mergulhar em um universo onde a música não é apenas uma arte, mas uma expressão profunda da cultura brasileira. Reconhecido por sua pesquisa e dedicação ao samba e à chula, Mendes se transforma em um contador de histórias, revelando que o samba já existia antes do nome que hoje o identifica. “É um rio sem cais”, diz ele, referindo-se à fluidês de uma cultura que resiste ao tempo.

O Carnaval e a Tradição

O artista reflete sobre a importância do Carnaval em um contexto histórico. Mendes expressa sua visão sobre a evolução do samba e a necessidade de desconstruir as definições rígidas da cultura. Para ele, a música é uma herança que deve ser vivenciada, não apenas observada. Ao discutir as raízes do samba, Mendes comenta: “O samba é uma oração que transcende gerações.” Suas raízes familiares e a influência de mestres anônimos do Recôncavo moldaram seu entendimento. Ele enfatiza que o verdadeiro samba está nas vozes e modos de vida que precedem o espetáculo.

Ao ser questionado sobre sua conexão com o Carnaval, Mendes revela sua paixão ao participar do bloco Alvorada por mais de 26 anos, afirmando que essa tradição é uma forma de reverenciar suas origens. “É um pedaço de Santa Amaro que carrego comigo!”, desabafa.

Controvérsias e Reflexões

Mendes não se esquiva de polêmicas. Ao abordar a origem do samba, ele reafirma que a verdadeira essência nasceu no Recôncavo, ressaltando que “o samba sempre foi um diálogo entre a terra e o mar”. Sua perspectiva provoca reflexão: o que significa realmente ser sambista em tempos onde o Carnaval se tornou uma indústria? Ele critica, apontando que muitas vezes, a festa é “montada para os turistas”, distorcendo a vivência genuína que deveria prevalecer.

Imagem ilustrativa da imagem

| Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE

Para ele, o samba é uma “democracia cultural”, onde todos têm seu lugar, ressaltando a importância do espaço público como um local de encontro e troca. “A feira é onde tudo começa”, reflete, conectando sua música às suas vivências.

No final, Roberto Mendes é um artista que transcende sua música. Ele é um contador de histórias, um guardião de tradições. Ao questionar o que é arte e cultura, Mendes nos convida a redescobrir a riqueza do passado, nos desafiando a olhar além do espetáculo.

E você, o que pensa sobre a relação entre cultura e comercialização no Carnaval? Compartilhe suas reflexões nos comentários.

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