AMEAÇA
Larvas de mosca ameaçadora atacam e danificam frutos produzidos na região


Controle das moscas-das-frutas no Vale do São Francisco tem sido prioridade devido à importância da fruticultura –
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A fruticultura é fundamental para a economia do Vale do São Francisco, na Bahia, destacando-se como o principal polo exportador de frutas do Brasil. Contudo, uma ameaça crescente inquieta os agricultores: a mosca-das-frutas. Esse inseto representa um risco severo à produção, especialmente em culturas como a manga, uma das principais frutas de exportação da região.
As espécies mais preocupantes são a Mosca-do-Mediterrâneo e a Mosca-das-frutas Sul-Americana. Conhecidas como moscas-das-frutas, essas pragas não se restringem a uma única espécie, mas englobam uma variedade de insetos cujas larvas são devastadoras para os frutos. O clima semiárido do Vale, aliado a técnicas modernas de irrigação do Rio São Francisco, permite colheitas quase contínuas, mas a infestação por essas moscas preocupa os produtores.
Entre as espécies predominantes, a Mosca-do-Mediterrâneo (Ceratitis capitata) se destaca, sendo a que mais causa danos na cultura da manga. Outras, como as do gênero Anastrepha, também contribuem para a deterioração das plantações, atacando diversas variedades de frutas. Embora as moscas mais conhecidas sejam as da Ceratitis e Anastrepha, a espécie Zaprionus indianus gupta também foi registrada, embora com menor impacto econômico.
O manejo adequado dessas pragas é essencial. A implementação de um Manejo Integrado de Pragas (MIP) é vital, que envolve o uso de armadilhas nos pomares para monitorar a população e identificar o momento certo para controle. Além disso, a eliminação de frutos caídos e infestados é uma prática fundamental, interrompendo o ciclo de vida das moscas. Manter a área livre de hospedeiros desnecessários é igualmente crucial nesse combate.
Dentre as estratégias de controle, destaca-se a liberação de machos estéreis da Ceratitis capitata, que visa diminuir a reprodução da população selvagem. As iscas tóxicas, que combinam atrativos alimentares e inseticidas, também são frequentemente utilizadas, garantindo uma abordagem menos prejudicial ao meio ambiente. “A aplicação da isca é feita em partes específicas da planta, evitando uma cobertura excessiva e preservando os inimigos naturais,” explica João Marcos, administrador com especialização em comércio exterior.
Juazeiro, um dos maiores produtores de manga do Brasil, deve sua relevância ao Vale do São Francisco. A maior parte da produção é voltada para a exportação, atendendo a mercados rigorosos, como Europa e Estados Unidos. Impressionantes 85% a 90% da demanda nacional de manga é suprida pela região. As variedades mais cultivadas, como Palmer, famosa pelo seu sabor doce, e Tommy Atkins, amplamente exportada pela sua resistência, são essenciais para a economia local.
Além da manga, a uva de mesa, especialmente as variedades sem sementes, também é um produto de alto valor agregado. O manejo agrícola e a irrigação permitirão até duas safras por ano, algo raro em outras partes do mundo. Produtores investem em variedades de alto padrão, buscando atender as exigências internacionais. “Toda empresa deve estabelecer credibilidade, e ao longo do tempo conseguimos isso. O mercado externo exige qualidade alta”, afirma Gilberto Secchi, proprietário da Grand Valle, uma empresa exportadora de frutas.
Cada fazenda da região se especializa em até 18 variedades de uva diferentes, todas adequadas a protocolos e exigências específicas, gerando um significativo número de empregos. A luta contra as moscas-das-frutas é uma questão de sobrevivência para os agricultores, um chamado para a colaboração e inovação. O sucesso dessa fruticultura depende não apenas de saber cultivar, mas, também, de proteger essa riqueza contra as pragas que a ameaçam. Você já conhecia a importância dessas frutas na nossa economia? Deixe o seu comentário e compartilhe sua opinião!