
A crescente utilização de celulares por crianças e adolescentes na Bahia tem gerado um clamor por maior controle sobre as plataformas digitais. Uma pesquisa da AtlasIntel, em parceria com o jornal A TARDE, revela que 78,2% dos pais baianos demandam uma regulação mais rigorosa das redes sociais para proteger os menores de conteúdos prejudiciais. Este dado destaca que, apesar das regras familiares, o simples controle em casa já não é suficiente diante da pressão dos algoritmos e da exposição precoce às telas.
Famílias em Busca de Proteção
O chamado à intervenção do poder público encontrou respaldo entre a população. Para o advogado digital Afonso Morais, essa intervenção é não apenas uma demanda social, mas uma necessidade jurídica. “O Estado deve atuar quando há risco à integridade de crianças e adolescentes. A liberdade de expressão não é absoluta”, afirma Morais, sublinhando que, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, existem limites em casos de violência ou exploração.
Entre diferentes perfis sociais, o apoio à regulação se destaca. Famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 3 mil expressam um apoio de 92,5%. Além disso, 83,8% das mães concordam com maiores limites, em contraste com 70,1% dos homens. A divisão também se reflete nas preferências políticas: 90,6% dos eleitores de Lula apoiam a regulação, enquanto 53,8% dos apoiadores de Bolsonaro estão contra.
O Impacto dos Algoritmos nas Novas Gerações

Morais alerta que, para crianças e adolescentes, lidar com sistemas feitos para capturar a atenção pode ser uma batalha. “Os algoritmos criam um comportamento semelhante à dependência digital, algo que os jovens não têm ainda maturidade emocional para enfrentar”, enfatiza.
O estudo destaca que 79,5% dos pais estabelecem regras para o uso do celular, mas 97,3% acreditam que o uso excessivo traz prejuízos. Os principais temores envolvem a exposição a conteúdos inadequados, incluindo violência e pornografia, mostrando que, apesar das tentativas de controle, ainda existem lacunas que precisam ser preenchidas.
Além das leis existentes, como o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei Geral de Proteção de Dados, Morais critica a eficácia da implementação. “As plataformas precisam ser responsabilizadas rapidamente, e isso não acontece. Muitas agem apenas após o dano já ter sido causado.” O especialista ressalta a urgência de um reforço nas normas de verificação de idade e no funcionamento dos algoritmos.
Neste cenário de insegurança, o suporte jurídico é essencial. Em casos de crimes digitais, como cyberbullying ou aliciamento, a recomendação é que os pais registrem boletins de ocorrência e busquem ajuda especializada. Os diretrizes do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente já reconhecem como abusiva a publicidade infantil que utilize apelos excessivos, uma medida para proteger os menores no ambiente digital.
Um futuro mais seguro para as crianças passa por uma ação conjunta entre pais, especialistas e o poder público. E você, o que pensa sobre essa questão? Dê sua opinião nos comentários e participe desta conversa fundamental para o bem-estar de nossos jovens!