Registro de HIV entre idosos aumenta 441% em 10 anos e preocupa especialistas

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O Alerta do Crescimento de HIV em Idosos: Uma Questão Ignorada?

Silvânia Nascimento

02/12/2025 – 3:17 h

Especialistas defendem a testage preventiva

Especialistas defendem a testagem preventiva –

Nos últimos anos, um fenômeno alarmante ganhou destaque: o aumento de 441% nos casos de HIV entre pessoas com mais de 60 anos. Esses números, coletados ao longo de uma década, revelam não apenas uma estatística preocupante mas também refletem a necessidade urgente de reavaliar a abordagem sobre a saúde sexual dessa faixa etária. Para a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a resposta a este aumento pode ser atribuída a dois fatores cruciais: o preconceito arraigado de que os idosos não têm vida sexual ativa e a escassez de campanhas de conscientização.

Os dados alarmantes mostram que, entre 2011 e 2021, 12.686 novos casos de HIV foram diagnosticados nessa população, abrangendo também 24.809 diagnósticos de AIDS e 14.773 mortes. Essa realidade é ainda mais impactante quando se considera que muitos dos diagnósticos tardios poderiam ter sido evitados com uma simples triagem regular.

A médica geriatra Alessandra Tieppo, especialista da SBGG, aponta que a questão é multifatorial. Segundo ela, o envelhecimento da população e o aumento da atividade sexual na terceira idade desempenham papéis significativos nesse crescimento. Frases corriqueiras como “eles não têm comportamentos de risco” perpetuam a ignorância e a falta de diálogo sobre a saúde sexual dos idosos, resultando em triagens negligenciadas durante consultas médicas.

Embora o tratamento do HIV seja o mesmo para todas as idades, os idosos enfrentam desafios adicionais devido a comorbidades que podem complicar suas condições de saúde. A terapia antirretroviral (TARV) é vital para gerenciar a infecção, permitindo que os pacientes mantenham a carga viral indetectável e evitando a progressão para AIDS. Porém, essa complexidade exige atenção especial em sua administração.

A confusão entre sintomas do HIV e as condições normais do envelhecimento frequentemente resulta em diagnósticos tardios. A presença de cansaço ou febre em idosos pode ser erroneamente atribuída ao envelhecimento, quando na verdade podem ser sinais de infecção. Alessandra destaca que campanhas de conscientização são essenciais e devem ser direcionadas não apenas ao público, mas também aos profissionais de saúde que atendem a essa população.

Neste cenário, ações voltadas à educação e à mobilização surtirão efeito no combate ao HIV na terceira idade. A importância de abrir o diálogo sobre a sexualidade dos idosos não pode ser subestimada. Que tal refletir sobre as barreiras que precisam ser quebradas para garantir uma vida sexual saudável e segura para todos, independentemente da idade? Vamos juntos mudar essa narrativa e proporcionar mais informação e cuidado!

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