ESTRELAS OU FORRÓ RAIZ?
Diretrizes do MPBA prometem mudar o São João, enquanto artistas discutem a valorização cultural

A festa poderá sofrer uma mudança significativa nos próximos anos –
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Com a recente decisão do Ministério Público da Bahia, as festas juninas, em especial o São João, estão prestes a enfrentar uma revolução. As novas diretrizes estabelecem que o somatório dos cachês dos artistas não poderá ultrapassar o valor do último ano, criando um “limite superior de atenção”. Essa mudança visa garantir um espaço maior para artistas locais, que por muitos anos ficaram em segundo plano.
Em 2025, os contratos de grandes nomes como Wesley Safadão e Zé Neto e Cristiano chegaram a exorbitantes R$ 700 mil. A nova regra representa um golpe na presença desses astros, ao mesmo tempo que abre portas para o forró autêntico e tradicional, representado por artistas como Targino Gondim, que vê a medida como uma chance de revitalizar a cultura local.
Artistas Baianos: Uma Nova Era?
Com cachês oscilando entre R$ 100 mil e R$ 400 mil, os forrozeiros baianos poderão mais facilmente brilhar nas grandes festas, favorecendo um retorno às raízes festivas. Targino Gondim declara: “Isso tende a movimentar bastante o mercado da gente e reacender o propósito das festas juninas”. Ele acredita que esta é uma oportunidade de resgatar o verdadeiro espírito junino, longe das músicas que enaltecem a bebida e preconceitos.
Por outro lado, Del Feliz critica a eficácia da medida, afirmando que limitar os cachês não garantirá a valorização dos artistas locais. “Ainda que dentro desse teto, trazer artistas de fora em maior quantidade vai continuar distorcido”, destaca, sugerindo que um percentual de investimento deveria ser assegurado para forrozeiros baianos.
Como a Nova Regra Afetará as Festas
À medida que os festejos juninos se aproximam, o MPBA e os Tribunais de Contas preparam uma cartilha que alinha as contratações às novas leis. Essa iniciativa não visa restringir as festas, mas assegurar a saúde financeira dos municípios e evitar práticas abusivas. Os gestores deverão calcular a média dos cachês de 2025, atualizados pela inflação, criando uma base sólida para futuras contratações.
Contratos que superarem R$ 700 mil enfrentarão rigorosa fiscalização e deverão justificar a capacidade financeira do município. Com orientações claras, o MPBA busca mitigar riscos e garantir que a tradição e a cultura realmente prevaleçam nas festas juninas da Bahia.

Tragino Gondim durante apresentação | Foto: Gabriel Carvalho | Divulgação
Com a mudança, cabe agora aos gestores e ao público participar ativamente desse debate. O futuro do São João depende da valorização da cultura regional e do espaço que se dá aos seus verdadeiros representantes. Compartilhe suas opiniões e ajude a moldar o que será a próxima edição do São João!