Segundo negro a desfilar no evento internacional relembra tradições do Carnaval passado

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MENOS CIRCUITOS, MAIS SEGREGAÇÃO

A Transformação do Carnaval e a Luta por Inclusão de Álvaro Oliveira

Álvaro Oliveira, segundo negro a desfilar no Os Internacionais

Álvaro Oliveira, segundo negro a desfilar no Os Internacionais – Foto: Jair Mendonça I Ag. A TARDE

Aos 77 anos, Álvaro Oliveira é uma lenda viva do Carnaval de Salvador e membro do tradicional bloco Os Internacionais desde 1976. Seu caminho não foi fácil; em um tempo marcado pelo preconceito, ele foi o segundo negro a conquistar o direito de desfilar. “Era difícil o negro ser aceito em vários setores da sociedade”, recorda.

Dificuldades Superadas

Álvaro recorda que precisou lutar muito para ser aceito no bloco. Ele conta ter enfrentado resistência, com uma proposta que precisava ser aprovada pela diretoria. “Meu amigo Sílvio Mendes, famoso na imprensa, conseguiu entrar antes de mim. Eu enfrentei barreiras, mas isso é parte do passado”, afirma.

No entanto, mesmo relembrando os desafios, ele acredita que o preconceito foi sendo superado ao longo dos anos e exalta a diversidade que hoje é mais evidente. “Precisamos enterrar preconceitos e buscar a paz, especialmente no Carnaval”, defende.

Transformações no Circuito

Com um histórico rico, Álvaro observa mudanças significativas no Carnaval. “Hoje temos novos circuitos que são uma necessidade, caso contrário, a festa teria colapsado”, comenta, enfatizando que o crescimento populacional exigiu essa expansão.

Ele aplaude as novas rotas do Carnaval, como um possível circuito na Orla, pois os já existentes não têm dado mais conforto aos foliões. O impacto da superlotação é notável, e ele espera que a transformação continue a levar o Carnaval a um novo patamar.

Álvaro Oliveira e Paulo César Vieira Lima

Álvaro Oliveira e Paulo César Vieira Lima | Foto: Jair Mendonça I Ag. A TARDE

A amizade de Álvaro com Paulo César Vieira Lima, ex-diretor do bloco, remonta a mais de cinquenta anos. Paulo relembra a resistência para que Álvaro fosse aceito, destacando que, mesmo com um currículo exemplar, a cor da pele era uma barreira na época.

“Era difícil colocar um negro no bloco, e eu lutei por isso”, revela Paulo, refletindo sobre um passado que já não deve mais se repetir.

Quase cinco décadas depois de sua primeira saída, Álvaro permanece fiel ao que considera “o melhor bloco de Carnaval de Salvador”, inspirando futuras gerações a celebrar uma festa cada vez mais plural e inclusiva.

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