Espetáculo baiano propõe nova linguagem e desafia o teatro convencional em Salvador, sem uma única palavra

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A Hora em que Não Sabíamos Nada da Gente

O espetáculo inovador A Hora em que Não Sabíamos Nada da Gente, em cartaz até 31 de maio no Teatro Martim Gonçalves, promete uma experiência cênica inusitada. Sem falas, a montagem celebra os 70 anos da Escola de Teatro da UFBA e os 80 anos da Universidade Federal da Bahia, trazendo uma releitura da obra do Nobel Peter Handke sob a direção de George Mascarenhas.

A Reinterpretação da Realidade

Mascarenhas revela que a proposta foi construir não apenas uma narrativa, mas uma série de impressões que ressoam com o cotidiano baiano. Com cerca de 20 atores, o palco se transforma em um espaço que representa as travessias e a rica tapeçaria social de Salvador. “Queremos provocar e estimular emoções. O espectador vai completar as histórias com sua própria subjetividade”, explica Deborah Moreira, assistente de direção.

A trama se desenrola em uma praça, onde figuras surgem e desaparecem, evocando os encontros e desencontros da vida, adequando-se ao contexto local. “Esse é um espaço que possibilita um contato profundo com as narrativas e a imaginação”, detalha Mascarenhas.

Corpo como Linguagem

Ancorada na mímica corporal, a montagem valoriza o gesto e a presença física como essenciais para a narrativa. “Nosso corpo é falante e expressivo. As emoções são transmitidas através de estados físicos, mesmo sem palavras”, afirma a atriz Letícia Conde, que interpreta múltiplos personagens em um emaranhado de micronarrativas na praça.

Para o ator Adrián Araújo, seu personagem é um “amontoado de memórias”, representando a passagem do tempo. Ele enfatiza que, mesmo sem diálogos, as intenções são comunicadas através da fisicalidade. O espetáculo transcende o diálogo falado e oferece ao público uma oportunidade de interpretar a própria experiência.

Embora Mascarenhas reconheça algumas semelhanças com o filme O Baile, do italiano Ettore Scola, ele ressalta que o seu projeto se diferencia ao apresentar uma série de fragmentos de experiências humanas, proporcionando uma abordagem única que desafia a narrativa tradicional.

Por fim, A Hora em que Não Sabíamos Nada da Gente não é apenas uma apresentação; é um convite à reflexão e à construção coletiva de significados. O público está chamado a participar ativamente, atravessando as histórias contadas no palco. Venha descobrir como as memórias e as emoções podem se entrelaçar em um espetáculo que ultrapassa a linguagem falada e ressoa na vivência de cada um.

Contamos com sua presença! Compartilhe suas impressões e vamos juntos explorar o que a arte pode revelar sobre nós mesmos.

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