Um novo alerta sobre os possíveis efeitos do Super El Niño, semelhante ao fenômeno de 2015-2016, aponta para prejuízos que podem superar R$ 13 bilhões na economia da Bahia. A Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb) divulgou esse panorama preocupante em uma coletiva de imprensa em Salvador, destaca que o fenômeno pode impactar severamente a produção agropecuária, pressionar a inflação e elevar os preços da cesta básica.
O presidente da Faeb, Humberto Miranda, enfatizou que os efeitos não se restringem apenas ao meio ambiente; as consequências sociais incluem um aumento na migração e o êxodo rural. “O El Niño está atrelado ao valor da cesta básica e à inflação. É fundamental que a imprensa entenda que o impacto é amplo”, disse ele.
A situação se torna ainda mais crítica, já que 58 municípios baianos enfrentam decretos de emergência devido à estiagem. Para lidar com esse desafio, a Faeb propõe que o estado implemente medidas estruturais, ao invés de apenas reações pontuais em momentos de crise. “Devemos trabalhar com planejamento. Não dá para simplesmente apagar incêndios,” afirmou Miranda.
Ações para minimizar os danos
Para enfrentar a situação, a Faeb apresentou um ofício ao Governo da Bahia com um plano em três etapas: pré-emergenciais, emergenciais e pós-emergenciais. Entre as propostas estão a reativação de poços artesianos inativos, novas linhas de crédito para infraestrutura hídrica, e a formação de estoques estratégicos de milho para a alimentação animal. Além disso, o fortalecimento do seguro rural e investimentos em barragens e tecnologias de convivência com o semiárido foram destacados.
Estudos realizados pela Faeb mostram que várias cadeias produtivas correm o risco de sofrer perdas significativas em decorrência de uma seca severa. Durante o El Niño de 2023/2024, a Bahia perdeu mais de um milhão de animais devido à redução das pastagens e à falta de água, resultando em um impacto econômico estimado em R$ 1,13 bilhão.
Outras atividades também sofreram impactos, como a produção de café, que contabilizou perdas superiores a R$ 339 milhões, e a banana, com prejuízos que ultrapassam R$ 210 milhões. Os danos se estenderam ainda a cebola, leite, laranja, milho, mandioca, feijão, castanha de caju e apicultura.
A Faeb ressalta a urgência de adotar medidas preventivas para mitigar os riscos que um Super El Niño pode trazer, tanto para o agronegócio como para toda a economia baiana.
