A voz que transforma: lições de uma criança sobre a importância da família

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AMAB EM FOCO

Confira a coluna Amab em Foco

Imagem ilustrativa da imagem Voz que importa: quando uma criança ensina sobre família

O artigo 227 da Constituição Federal salienta a prioridade dos direitos das crianças, mas como podemos garantir que isso não seja apenas uma formalidade? Como ouvir as vozes infantis em meio aos conflitos dos adultos? Essa foi a premissa que me guiou ao estabelecer um protocolo transformador em audiências com crianças.

Em cada audiência, antes do início, convido a criança e seu guardião para uma conversa reservada. Nesse ambiente, busco tranquilizá-la, explicando que a audiência é para buscar a melhor solução para seus interesses, não para os adultos. Essa abordagem fornece um espaço seguro para que a verdadeira vontade da criança seja expressa.

Crianças como Sujeitos Ativos

Recentemente, durante um caso de dissolução de união estável, vivenciei uma lição poderosa. Em meio a troca de acusações entre os pais, uma menina levantou a mão e pediu para falar sozinha. Ela revelou, sem hesitação, que queria ficar com sua irmã mais velha, em vez de se preocupar com as disputas entre os pais. Esse momento evidenciou o que realmente a segurava: a conexão fraternal, seu refúgio em tempos de caos familiar.

Essa experiência deixou bem claro que as crianças não são meros objetos de disputas. Elas têm opiniões e desejos válidos, baseados em vínculos afetivos que, muitas vezes, atravessam as convenções sociais. Ao final, decidi que a criança ficaria com a mãe, mas a motivação central foi respeito à vontade expressa da menina.

Reinventando a Justiça Familiar

Como magistrados, não apenas decidimos, mas devemos ouvir ativamente. A justiça carente de escuta é meramente ilusória. Essa lição reafirma que, em muitos aspectos, quem conhece melhor a verdadeira estrutura familiar é, frequentemente, quem ainda está aprendendo sobre a complexidade dela: as crianças.

Que possamos sempre nos lembrar da importância de dar voz aos jovens nas decisões que os afetam. Como isso pode mudar não apenas vidas, mas a essência da Justiça. Compartilhe suas opiniões nos comentários e vamos discutir como podemos aprimorar a escuta em nossas práticas!

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