Bolsonaro preso: saiba se remédios do ex-presidente podem causar surto

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No último domingo (23/11), Jair Bolsonaro (PL) enfrentou uma audiência de custódia após ser detido por suposta tentativa de fuga e danos à sua tornozeleira eletrônica. Durante a audiência, o ex-presidente atribuiu a avaria do dispositivo a uma “certa paranoia”, decorrente da interação medicamentosa de dois remédios: pregabalina e sertralina.

Especialistas consultados, no entanto, afirmam que essa associação não é comumente ligada a alucinações ou surtos.

A pregabalina, um anticonvulsivante, é frequentemente usada para tratar dores neuropáticas e quadros graves de transtornos ansiosos. Por outro lado, a sertralina é um antidepressivo amplamente prescrito para problemas de depressão e ansiedade. Segundo a farmacêutica Walleri Reis, do Conselho Federal de Farmácia, a combinação dos dois medicamentos não apresenta riscos significativos, e reações adversas são raras.

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Foto: Superintendência da PF em Brasília

Daniela Santos/Metrópoles

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Tornozeleira utilizada por Bolsonaro, visivelmente danificada

Reprodução

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Vigília em frente à casa do ex-presidente

Giovana Alves/Metrópoles

Embora a associação entre sertralina e pregabalina não seja alarmante, a sertralina pode, em alguns casos, reduzir os níveis de sódio no sangue, aumentando o risco dessa condição quando usada com anticonvulsivantes. A professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) reforça que a avaliação de saúde individualizada é fundamental para descartar outras possíveis causas dos sintomas dessa natureza.

“Essa reação adversa é rara. Apenas uma avaliação de saúde multiprofissional pode confirmar se isso ocorreu no caso do ex-presidente”, observa a especialista.

Na audiência, Bolsonaro comentou que sua noite foi mal dormida e que a falta de descanso contribuiu para sua decisão de danificar a tornozeleira. Ele alegou ter tido uma alucinação sobre escuta no aparelho, o que o levou a tentar abri-lo com um ferro de solda. No entanto, reconhecendo a ação imprudente, ele decidiu abortar a tentativa e avisa as autoridades.

A farmacêutica Adriana Gama explica que sonolência, tontura e diminuição da atenção são sensações comuns ao tomar esses medicamentos juntos, embora alucinações nessa situação sejam raras. “A combinação dos dois é uma prática clínica que geralmente é segura no tratamento de ansiedade e depressão, com uma chance muito pequena de induzir alucinações”, afirma.

“Os fabricantes indicam que essa ocorrência é incomum, afetando entre 0,1% e 1% dos usuários”, conclui a especialista do Hospital de Base.

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