Brasil não exigirá renúncia de Maduro, afirma Celso Amorim

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Em entrevista ao The Guardian, o ex-chanceler e assessor de assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim, fez um alerta contundente sobre a situação envolvendo a Venezuela e a possível interferência dos Estados Unidos. Amorim afirmou que o Brasil não irá pressionar o presidente Nicolás Maduro a renunciar, mesmo com a pressão externa, e repudiou a ideia de que o Brasil pudesse dar asilo ao venezuelano, embora não tenha descartado essa possibilidade.

“Se cada eleição questionável desencadeasse uma invasão, o mundo estaria em chamas,” comentou Amorim, destacando o risco de um conflito militar semelhante ao Vietnã. Para ele, uma invasão norte-americana não só prejudicaria a Venezuela, mas poderia transformar a América do Sul em uma “zona de guerra” com consequências globais.

O Cerco Militar dos EUA

Desde agosto, os EUA intensificaram sua presença militar na América Latina, justificando-a como uma ação contra o tráfico de drogas. Atualmente, navios de guerra e o porta-aviões USS Gerald R. Ford estão posicionados na região, aumentando as tensões. Apesar das alegações de combate ao narcotráfico, a movimentação gera dúvidas. Um dos principais alvos das ameaças norte-americanas, Maduro, é tratado por Washington como líder de um cartel terrorista, abrindo portas para intervenções.

Metrópoles

Os dados do Pentágono mostram que diversas embarcações foram atacadas, sem que evidências ligando-as ao tráfico fossem apresentadas publicamente. O clima de desconfiança paira sobre a região, pois um eventual ataque poderia acabar envolvendo outros líderes latino-americanos, como o presidente colombiano Gustavo Petro.

Asilo e a História do Refúgio no Brasil

Sobre a possibilidade de um eventual asilo político para Maduro, Amorim relembrou que o Brasil já concedeu refúgio a figuras como o ex-presidente equatoriano Lucio Gutiérrez em 2005. Contudo, ressaltou que deseja evitar especulações sobre asilo para não dar a impressão de incentivo. O ex-chanceler enfatizou que o asilo é uma prática comum na América Latina, independentemente de ideologia política.

A crise atual pode ser uma oportunidade para discutir como os países latino-americanos lidam com questões de soberania e intervenção externa. Que reflexões essa situação traz sobre o futuro da política regional?

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