Durante a 82ª assembleia anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), o tema da sustentabilidade no setor aéreo ganhou destaque. A busca por alternativas aos combustíveis fósseis é urgente, mas o progresso em direção à descarbonização até 2050 está avançando lentamente. Embora metas altas tenham sido estabelecidas, a realidade mostra um cenário desafiador.
De acordo com dados da IATA, a produção global de combustível de aviação sustentável (SAF) aumentou de 1 milhão de toneladas em 2024 para 1,9 milhão de toneladas em 2025. A expectativa é que chegue a 2,4 milhões de toneladas este ano. Contudo, isso ainda representa apenas 0,8% das necessidades totais de combustível das companhias aéreas. Willie Walsh, diretor-geral da IATA, ressaltou que a meta é alcançar 500 milhões de toneladas de SAF até 2050. “A diferença entre o que temos e o que precisamos é enorme e não está se diminuindo rapidamente”, afirmou.
Walsh também apontou que as companhias aéreas demonstraram uma demanda clara por SAF, com mais de 180 acordos de compra desde 2021. No entanto, a oferta não acompanha a necessidade. Projetos significativos de SAF têm sido cancelados ou reduzidos em países como Suécia, Alemanha e Reino Unido, evidenciando uma falta de planejamento na produção.
Ele destacou que duas ferramentas de política pública — mandatos e incentivos — são essenciais. Quando os incentivos são implementados primeiro, a produção tende a ser bem-sucedida, como evidenciado pelos créditos tributários nos Estados Unidos. Embora o Brasil possua grande potencial em SAF, precisa alinhar suas políticas para coletar frutos. Infelizmente, muitos governos têm priorizado mandatos, o que acabou elevando custos sem garantir a oferta necessária.
Walsh criticou a situação na União Europeia e no Reino Unido, onde as companhias gastam bilhões em penalidades, mesmo sem a devida produção de SAF. “As companhias desejam adquirir mais SAF do que está sendo ofertado”, apontou. A falta de aprendizado com os erros passados na implementação de mandatos é preocupante, com riscos de repetição de falhas com o eSAF, o que pode resultar em penalidades ainda maiores.
Acordo setorial ameaçado
Outro ponto crítico no caminho rumo à neutralidade em carbono é o CORSIA, o primeiro acordo global para gerenciar as emissões de carbono no setor. Walsh alertou que a falta de alinhamento entre as partes governamentais envolvidas no CORSIA e no Acordo de Paris está ameaçando os créditos de compensação necessários. Até agora, apenas 10 países forneceram as Unidades Elegíveis de Emissões (EEUs) necessárias, com a Guiana liderando na região.
Walsh sublinhou que a União Europeia precisa parar de minar o CORSIA, insistindo que os esforços para desestabilizá-lo são desonestos. Ele acredita que alinhar os processos internos dos governos é a chave para resolver os problemas climáticos que ainda persistem no setor aéreo.
Essas discussões ressaltam a importância de manter um diálogo aberto sobre práticas sustentáveis na aviação, onde todos têm um papel para desempenhar. O que você acha sobre as medidas atuais para a descarbonização do setor? Compartilhe suas opiniões!