O Tribunal Regional Federal da 6ª Região aprovou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra uma organização criminosa que facilitaria a migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. O grupo atuava ininterruptamente desde 2019, visando lucro à custa de pessoas desesperadas por uma nova vida.
Os acusados, conhecidos como “coiotes”, foram identificados como Renan Martins Mesquita, Helielmo Santos de Jesus e Rogério Martins Alves. Eles enfrentam acusações de associação criminosa e promoção de migração ilegal. Apesar dos esforços do Metrópoles para ouvir os réus, não houve retorno.
Como a Organização Operava
O MPF detalhou que a estrutura da organização era bem definida. Renan foi destacado como o líder, responsável pela logística e finanças. Rogério, por sua vez, cuidava do apoio logístico e da cobrança aos emigrantes, enquanto Helielmo se destacou na cobrança de dívidas, utilizando táticas de intimidação.
Um exemplo claro de suas táticas foi a coleta de dados e ameaças direcionadas tanto aos emigrantes quanto a suas famílias. Isso evidencia um domínio psicológico sobre suas vítimas, que muitas vezes se sentiam sem alternativas diante das ameaças.
Evidências Robustas e Consequências Legais
A investigação revelou um vasto monte de provas, coletadas via dispositivos móveis dos líderes da organização. Renan tinha em seu celular comprovantes de transferências, documentos de emigrantes e conversas sobre a operação do grupo. Por outro lado, Helielmo armazenava evidências de coerção, e Rogério mantinha registros detalhados dos serviços prestados.
Helielmo está preso preventivamente desde março e teve sua situação mantida pela Justiça. O juiz federal Leonardo Araujo de Miranda Fernandes destacou a solidez das provas coletadas, afirmando que o conjunto indiciava claramente a criminalidade do grupo.
Com a formalização da ação penal, os réus têm 10 dias para apresentar suas defesas; caso não contratem advogados particulares, a Defensoria Pública da União será acionada.