Padarias de MG enfrentam falta de mão de obra e adotam pão congelado para suprir 30 mil vagas em aberto

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Minas Gerais

Setor de panificação enfrenta déficit de 30 mil trabalhadores, comprometendo produção e crescimento

Belo Horizonte – O setor de panificação em Minas Gerais enfrenta uma crise de mão de obra, estimando-se um déficit de aproximadamente 30 mil trabalhadores no estado. Essa escassez não apenas prejudica o atendimento ao cliente, como também impacta a produção e o crescimento das empresas do setor.

Vinícius Dantas, presidente da Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), alerta que a dificuldade de contratar profissionais se tornou um dos principais obstáculos para o setor. “As vagas estão abertas, mas faltam candidatos. Precisamos de pessoas para trabalhar em atendimento, como padeiros e confeiteiros”, explica.

“Hoje eu precisaria de cerca de 250 funcionários, mas tenho apenas 198”, afirma um empresário do ramo.

Déficit afeta milhares de padarias

Minas Gerais possui aproximadamente 8 mil padarias formalizadas, mas muitas delas foram abertas apenas para atender necessidades fiscais. A busca por profissionais está cada vez mais difícil, e várias empresas precisaram recorrer à compra de pães congelados para manter suas operações.

“A indústria do pão congelado cresceu porque várias padarias precisaram terceirizar a produção para sobreviver”, destaca Dantas.

Mudanças no mercado de trabalho

A ascensão dos aplicativos de entrega e o aumento da informalidade modificaram o panorama do trabalho. “Os profissionais compararam o emprego formal com outras atividades que oferecem renda imediata, criando uma competição desigual”, observa Dantas. Esse cenário torna a contratação de funcionários com carteira assinada onerosas, frustrando muitas empresas em suas tentativas de expandir.

“Um funcionário com carteira assinada custa praticamente o dobro do que ele recebe”, afirma Dantas.

Investimentos em tecnologia e taxa de juros

Para lidar com a falta de mão de obra, muitas empresas estão investindo em automação. No entanto, o elevado custo do crédito e a pesada tributação sobre tecnologia dificultam este investimento. “Para aumentar a produtividade, precisamos de melhores condições de crédito e menos impostos”, ressalta Dantas.

Falta de qualificação preocupa o setor

A escassez de mão de obra qualificada não afeta apenas o setor alimentício, mas praticamente todas as indústrias. Segundo o Senai Minas, há mais de 5 mil vagas em aberto em diversos setores. A coordenadora de Educação Profissional e Tecnológica do Senai, Natália Trindade de Souza, destaca que áreas como automação e mecânica estão entre as que mais precisam de profissionais.

Engajamento dos jovens na indústria

Um dos principais desafios é atrair jovens para carreiras técnicas. Apesar dos cursos técnicos apresentarem alta taxa de empregabilidade, muitos ainda veem a indústria de maneira antiquada. Natália menciona que “91,2% dos formados conseguem se empregar”.

Impacto econômico

A indústria representa cerca de 29,7% do PIB de Minas Gerais, gerando 1,36 milhão de empregos formais. Sem investimentos em treinamento e produtividade, a preocupação é que a jornada para preencher vagas continue a ser um desafio, limitando o potencial de crescimento do setor.

“Temos recursos naturais e capacidade produtiva, mas é preciso fazer correções. Sem investimento e tecnologia, avançar será cada vez mais complicado”, conclui Dantas.

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