Em meio à agitação de uma cafeteria na icônica rua Oscar Freire, um barista surpreende ao preparar um espresso diferente. Este não é apenas mais um café; é uma revolução gustativa feita com 100% de grãos robusta. Embora a variedade tenha sido um dia rebaixada a ingredientes para café solúvel, hoje, em copos sofisticados, ela exibe sua verdadeira face: uma crema rica e notas achocolatadas incomuns para quem está acostumado com o arábica.
A TRANSFORMAÇÃO DO CAFÉ NO BRASIL
Com o combate às mudanças climáticas e a ameaça ao cultivo de arábica, produtores brasileiros de robusta investem em técnicas inovadoras. Um estudo alarmante indica que, até 2050, grandes áreas antes ideais para arábica podem se tornar impróprias para o cultivo devido ao aumento das temperaturas e secas. Essa realidade faz com que o robusta emerge como uma alternativa viável e de alta qualidade.
Lucas Venturim, um cafeicultor que opera a centenas de quilômetros do centro paulistano, revela que a tradição familiar de qualidade se aplica igualmente ao conilon, outra variedade de robusta. “Meu pai já nos ensinou que não é a espécie que define a qualidade, mas sim o cuidado e a técnica de cultivo”, afirma Venturim, reforçando a ideia de que a mudança de mentalidade entre os agricultores pode levar a resultados surpreendentes.
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SECAGEM MODERNA E NOVIDADES NO MERCADO
A transformação no Espírito Santo, onde a robusta brasileira predomina, prioriza tanto produtividade quanto qualidade. Com uma meta ambiciosa, o estado planeja produzir 1,5 milhão de sacas de robusta especial até 2032. Técnicas modernas de secagem e a participação em eventos internacionais têm impulsionado essa mudança, como destaca José Roberto Gonçalves, gerente da Cooabriel, a cooperativa de robusta mais influente do Brasil.
A própria Specialty Coffee Association (SCA) já reconhece a evolução e revisou cursos de avaliação para incluir robusta premium entre os apreciadores de café. “Parece que a espécie não é mais o único critério para determinar o que é especial,” diz Kim Ionescu, sinalizando a abertura do mercado para novos paladares.
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O resultado? Um aumento nos preços e o reconhecimento crescente da robusta especial. Segundo Márcio Ferreira, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, o preço médio por saca ultrapassou US$ 295 neste ano, refletindo uma valorização significativa. A demanda mundial não apenas reconhece a robusta, mas agora a busca suas qualidades únicas com entusiasmo.
Natalia Ramos Braga, barista na Santo Grão, ilustra essa transformação. “O Brasil é perfeito para esses novos sabores. Os consumidores estão se apaixonando por um café mais encorpado e amargo, e temos o café canéfora que atende a essas preferências”, revela, abrindo espaço para uma nova era no consumo de café.
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