29 agosto, 2025
sexta-feira, 29 agosto, 2025

Com precatórios, setor público teve déficit de R$ 66,6 bi em julho

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Em julho, o cenário fiscal brasileiro enfrentou um novo desafio. O pagamento de precatórios impulsionou o déficit do setor público consolidado — que inclui União, estados, municípios e estatais — a registrar um resultado negativo de R$ 66,6 bilhões. Esse número não apenas destaca a gravidade da situação, como se tornou o segundo pior para o mês, superado apenas pelo resultado devastador de julho de 2020, durante a pandemia de covid-19.

A composição desse déficit é alarmante. Do total, R$ 56,4 bilhões foram contabilizados pelo Governo Central, seguido por R$ 8,1 bilhões para os Governos Regionais e R$ 2,1 bilhões para Empresas Estatais. Em comparação com julho do ano anterior, a situação se deteriorou acentuadamente: no mesmo mês de 2024, o déficit havia sido de apenas R$ 21,3 bilhões.

O destaque vai para os precatórios, cujas despesas totais alcançaram R$ 62,78 bilhões em julho. Essa situação contrasta com o ano passado, quando os pagamentos foram antecipados para fevereiro. Esse cenário implica que o déficit primário — que mede o resultado das contas públicas antes da inclusão dos juros da dívida — é um reflexo direto dessa pressão fiscal.

Em termos acumulados, os primeiro sete meses de 2023 mostraram um déficit primário de R$ 44,5 bilhões, equivalente a 0,61% do Produto Interno Bruto (PIB). Embora ainda negativo, esse resultado é uma leve melhora em relação a 2024, que trouxe um déficit de R$ 64,7 bilhões. Contudo, a situação se agrava quando olhamos para o acumulado dos últimos 12 meses, onde o déficit atingiu R$ 27,3 bilhões, representando 0,22% do PIB.

Quando consideramos os juros da dívida pública, o déficit nominal em julho saltou para R$ 175,6 bilhões, totalizando R$ 968,5 bilhões em 12 meses — o que corresponde a 7,86% do PIB. A dívida bruta do governo geral, por sua vez, chega a 77,6% do PIB, representando R$ 9,6 trilhões e subindo desde julho do ano passado.

Aprovado em 2023, o arcabouço fiscal traz a esperança de uma contenção de despesas, limitando seu crescimento a 70% do aumento da arrecadação. Entretanto, as expectativas não são tão otimistas. Projeções indicam que a dívida pública poderá alcançar 93,5% do PIB em 2034, e o FMI sugere que esse índice pode até mesmo ultrapassar os 100% em 2035.

O cenário fiscal se revela desafiador. Como você vê a situação das contas públicas? Deixe seus comentários abaixo e participe dessa discussão essencial para o futuro econômico do Brasil.

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